Legislativas de 4 de Outubro

Um passo na luta pela alternativa

Jorge Cordeiro (Membro da Comissão Política)

As eleições para a Assembleia da República, no próximo dia 4 de Outubro, assumem uma inegável importância. Pelo que representam em si mesmo e nos objectivos que lhe estão associados, ou seja a eleição dos 230 deputados em disputa e a escolha dos que efectivamente podem assegurar a defesa dos interesses e direitos do povo português.

Assumimos as eleições como um momento de luta

Image 18792

As próximas legislativas assumem ainda importância pela possibilidade que a sua preparação e intervenção eleitoral abre para uma ampla divulgação das soluções, propostas e projecto do PCP; pela oportunidade que constituem para debater e esclarecer as razões da situação do País, para identificar as causas e responsáveis, para afirmar com confiança a perspectiva, necessidade e possibilidade de uma política alternativa, patriótica e de esquerda que assegure uma vida melhor num Portugal com futuro.

As eleições legislativas de Outubro não serão por si só sinonimo da construção da alternativa patriótica e de esquerda que abrirá caminho em bases sólidas à afirmação de um Portugal desenvolvido e soberano com uma política assente no progresso económico e justiça social, centrada na valorização e dignificação das condições de vida dos trabalhadores e do povo. Mas são sem dúvida um momento, uma oportunidade, uma batalha política para contribuir para esse objectivo.

Assumimos as eleições como um momento de luta. O que não significa desvalorizar o valor próprio das eleições e do que nelas se decide. Desde logo porque não as isolamos do processo de luta. É verdade que as eleições e os seus resultados não expressam em toda a sua dimensão, e na maioria das vezes bem longe disso, o resultado da luta, o processo de consciencialização política de que é portadora, o reconhecimento eleitoral da coerência, seriedade e verdade. Mas não é menos verdade que é na luta que se encontra o factor principal de desgaste e erosão eleitoral da política de direita e dos seus responsáveis, que é pela luta que se adquire consciência de direitos, que é pela luta que se amplia a percepção sobre o papel do PCP e da CDU na defesa dos interesses dos trabalhadores e das populações.

Só por infantilidade se pode admitir que o resultado das eleições é indiferente para a criação de condições mais ou menos favoráveis para o desenvolvimento da luta e para a concretização dos objectivos mais gerais, ou se pode ignorar que as próprias condições para a luta não são separáveis do peso político e institucional que delas resultem para a força mais consequente e decisiva para esse objectivo – o PCP.

Determinação e confiança

Conhecemos as dificuldades impostas à intervenção do PCP e da CDU nas eleições. Não ignoramos a ostensiva desigualdade de meios, os instrumentos de dominação política e ideológica, os condicionamentos eleitorais sócio-económicos resultantes das relações de produção capitalistas dominantes, as manobras para perpetuar a política de direita e o poder monopolista que a determina, o estímulo à política espectáculo (labirinto onde o rigor e a verdade se perdem e desvalorizam), a redução de eleições a quem «ganha ou perde».

Mas a resposta não é, nem será, a da desistência de enfrentar todas e cada uma das lutas – de que a batalha de 4 de Outubro é parte – em nome da espera de uma qualquer última e decisiva luta em que tudo se decidiria. Porque aprendemos com a história e a vida deste Partido a não desperdiçar nenhuma trincheira e possibilidade de luta e de ligação às massas. Porque responsavelmente não desvalorizamos as possibilidades de intervenção institucional (enquanto instrumento articulado com a acção de massas e do Partido), nem o valor do peso maior ou menor na condução de políticas e dos meios que indirectamente propiciam para lá do estrito limite da intervenção institucional; porque não ignoramos os reflexos na confiança e perspectivas para a luta mais geral dos resultados e da leitura que deles é feito; porque não subestimamos os condicionamentos sobre as massas desses mesmos resultados e das dificuldades que acrescentam na capacidade de atracção e de ampliação de influência da força decisiva para a luta pela alternativa política.

As eleições de 4 de Outubro são, assim, um momento para fazer desaguar na expressão do voto o caudal de luta dos que enfrentaram e resistiram ao programa de exploração e empobrecimento que as troikas nacional e estrangeira impuseram ao povo português. Uma oportunidade para traduzir no voto a condenação dos partidos da política de direita. Um momento para dar mais força à defesa dos direitos e rendimentos, dar mais peso e criar melhores condições para a concretização de uma política alternativa. Uma oportunidade para, com o apoio e o voto na CDU, afirmar a exigência de um outro rumo para o País.

A batalha política e eleitoral a que o colectivo partidário será chamado a dar resposta é parte da luta mais geral contra a política de direita, parte do indispensável processo de alargamento da influência política do PCP e da imprescindível ampliação da consciência social e política do povo, que acabará por impor a construção de uma política que, vinculada aos valores de Abril, se projecte numa sociedade mais justa, solidária e desenvolvida.

 



Mais artigos de: Opinião

A crise de quem???

A passada segunda-feira foi marcada pelas perdas acentuadas na bolsa de Xangai a que se sucedeu um efeito «dominó» com grande impacto em todo o Mundo. As atenções estão voltadas para a China, a segunda maior economia mundial, que nas últimas duas décadas e meia...

Arranjos

Neste tempos em que foi declarado o estado de alerta nas hostes da política de direita com vista à sua sobrevivência, melhor se percebem afirmações, diligências, pressões e posicionamentos que dos quatro cantos nos chegam. Já se conheciam as inusitadas...

1082

1082 euros – foi esse o valor que, em média, cada família com crianças gastou em educação em 2014. Ou seja: praticamente dois salários médios de um trabalhador português, num País em que uma em cada três crianças é pobre ou...

Os marcianos!

António Costa foi entrevistado um dia destes por um semanário nacional a propósito do próximo acto eleitoral. Questionado sobre a possibilidade de constituir governo com o PSD, a seguir às eleições, Costa disse que tal só sucederia se os marcianos viessem invadir...

A ver se fogem

Ao afirmar a semana passada que «são as empresas que criam empregos; não são os partidos, não são os governos e não são os cartazes», Paulo Portas evidenciou que ignora a generalidade da teoria económica e tem, da organização...