Tempo de mudar com a CDU
Anteontem, 18, Jerónimo de Sousa participou em duas iniciativas da CDU no distrito do Porto. No jantar em Matosinhos e no comício em Vila Nova de Gaia, o Secretário-geral do PCP condenou a campanha de mistificação em torno dos dados do desemprego.
«Quem nos atirou para este buraco não nos vai tirar dele»
Na Escola Básica da Barranha, em Matosinhos, onde estiveram mais de uma centena de pessoas, interveio a candidata matosinhense, Ana Moreira, que abordou várias questões da actualidade política local. Por seu lado, Jerónimo de Sousa criticou as promessas do Governo que parecem fazer crer que estamos «à beira da terra do mel», mas a verdade é que passados quatro anos «temos um País mais endividado, mais dependente, com mais desemprego», afirmou, referindo-se, como exemplo, ao fim das quotas leiteiras e à ruína dos nossos produtores de leite.
Sobre a intenção do Governo de criminalizar o abandono dos idosos, Jerónimo de Sousa salientou que, «se alguém merece ser julgado e condenado em primeiro lugar», esse alguém é o Governo, «que cortou nas pensões e nas reformas, nos apoios sociais e obrigou meio milhão de filhos e netos a partir para a emigração forçada».
Amarga realidade
No comício de Vila Nova de Gaia, que reuniu centenas de pessoas no Largo Estêvão Torres, Diana Ferreira, segunda na lista da CDU pelo círculo eleitoral do Porto, partindo da realidade daquele concelho que bem conhece – e que «não está isolada da realidade nacional» – deu como exemplo das consequências da política de direita o encerramento de empresas, os despedimentos colectivos e os salários em atraso.
O encerramento de serviços públicos – como as escolas do primeiro ciclo, ou os balcões dos CTT e a Repartição de Finanças dos Carvalhos – foi mencionado pela também deputada na Assembleia da República.
Jorge Machado, cabeça de lista da Coligação PCP-PEV por aquele distrito, falou igualmente da «destruição do aparelho produtivo», que levou a um aumento do desemprego e da emigração. Segundo disse o candidato, «duas coisas são certas»: a primeira é que «quem nos atirou para este buraco não nos vai tirar dele» e a «solução não passa por PS, PSD e CDS», que são «parte do problema». A segunda, reforçou, é que a solução para os problemas do País está na CDU e na capacidade dos seus apoiantes em partir para a luta e para a divulgação das suas propostas.
Na última intervenção da noite, o Secretário-geral do PCP alertou para a «operação de mistificação em relação aos dados do desemprego», que «reflectem cada vez menos a realidade» do País.
Segundo informou, «o emprego actual continua inferior a 2011, em 218 mil postos de trabalho». «A redução da taxa é essencialmente o resultado dos 500 mil portugueses que foram obrigados a emigrar, dos 250 mil inactivos que desejariam trabalhar e que não contam para as estatísticas e de mais de 240 mil que não trabalham a tempo inteiro e fazem biscates», explicou, frisando que «a anunciada recuperação económica continua assente em pés de barro, bem visível não apenas na dinâmica da criação de emprego, mas também no agravamento do défice comercial».