A utilidade do simulador

Manuel Rodrigues

Muito já se disse sobre a enganosa promessa eleitoral do Governo de devolver parte da sobretaxa do IRS em 2016, se... se... se… E como tantos «ses» podem induzir em desconfiança, nada melhor do que um simulador para dar aparência de verdade àquilo que não passa de mentira descarada. 

Descoberta a mistificação (de tal modo que depressa o Governo deixou de falar no assunto), fica no ar a ideia de que o simulador, se bem usado, até pode ser um instrumento útil para o cálculo do novo desastre que teríamos a esperar com mais quatro anos de política de direita, tomando como base de cálculo alguns indicadores dos desastrosos resultados dos últimos quatro. 
1) Mais 500 mil emigrantes, ou seja a sangria do País em mais dez por cento da sua população activa e a desertificação humana equivalente a mais um distrito como o de Leiria; 
2) Mais 800 mil pobres, a fazer passar esta cifra da vergonha dos dois milhões e setecentos mil que já hoje temos para os três milhões e meio (mais de um terço da população na pobreza);
3) Mais 500 mil desempregados. A fazer subir o desemprego para valores próximos dos dois milhões;
4) Mais 50 mil milhões de euros sobre a nossa dívida pública, a passar dos actuais 130,2 por cento para cerca de 160 por cento do PIB.

A 4 de Outubro, os portugueses vão ter a oportunidade de afastar o pesadelo de um tal cenário (que, certamente, seria ainda pior do que os valores simulados). Para isso basta fazer corresponder o voto ao sentido da intensa luta travada ao longo destes quatro anos contra as medidas concretas da política de direita, nomeadamente no campo do ataque aos direitos laborais e sociais. E votar na CDU, a única força política que esteve sempre, de forma coerente e combativa, nesta luta com os trabalhadores e o povo. A força política que se apresenta com uma real alternativa política patriótica e de esquerda capaz de pôr Portugal de novo no caminho do progresso social e do desenvolvimento soberano.

Pode ser muito útil a utilização do simulador, mas não dispensa a necessidade de fazermos tudo o que está ao nosso alcance no contacto, mobilização e esclarecimento de todos os que, tendo estado na luta, só terão a ganhar se agora, consequentemente, votarem na CDU.

 



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