Ameaças e chantagem
Durante o debate várias foram as alusões à Grécia, com motivações e enquadramentos diversos. Os partidos da maioria repetiram sobretudo que a situação naquele país não tem paralelo com a portuguesa, aproveitando a ondas dos mais recentes desenvolvimentos para dizer que se a estratégia fosse a das oposições seríamos a Grécia, haveria «bancos fechados» e «filas em multibancos». Passos Coelho, por sua vez, negando a evidência, afirmou que não há qualquer chantagem da União Europeia e levou o cinismo ao ponto de garantir que todos os países estão receptivos à ideia de ajudar os gregos. «O que a Europa está a fazer à Grécia não foi feito a país nenhum. O que a Europa emprestou à Grécia não emprestou a ninguém. As dívidas que se acumularam nos bancos gregos eram dos gregos», afirmou o chefe do Governo.
«Em vez de tomar as medidas necessárias para renegociar a dívida que é insustentável, em vez de um esforço para procurar com outros países que têm o mesmo problema – a Grécia, a Espanha, a Irlanda ou a Itália – preferem pôr-se ao lado da UE nas operações de chantagem e ameaça contra o povo grego», acusou Jerónimo de Sousa, vendo nas medidas que estão hoje a tentar impor à Grécia as «mesmas que PSD e CDS gostariam de continuar a impor por cá».
Considerou, por outro lado, que esse «alinhamento é a única forma de PSD e CDS salvarem o seu discurso dos eternos sacrifícios».
Já Heloísa Apolónia, do PEV, não manifestou estranheza pela posição do Governo - «se não respeita o povo português como pode respeitar o povo da Grécia», vincou -, acusando-o de se submeter às elites europeias».