mostra um País mais injusto e desigual
Venha o diabo e escolha
As imagens bíblicas entraram no debate e serviram de arma de arremesso na troca de argumentos entre PS e PSD. Aos sete pecados capitais na acção do actual Governo elencados por Ferro Rodrigues retorquiu Passos Coelho com as «dez pragas» herdadas do Governo PS, entre as quais situou as obras faraónicas (parcerias público-privadas e TGV) e a nacionalização do BPN, passando pelos PEC que «não resolveram nada e só trouxeram aumento de impostos e cortes nos salários», ou pelos «défices orçamentais ruinosos».
O que o chefe do Governo não explicou foi qual a posição assumida pelo seu partido perante essa «terrível lista de pragas». E foi isso Jerónimo de Sousa quis esclarecer, sabendo, à partida, que essa «posição não foi a de insecticida» mas sim «parte integrante dessas pragas que se abateram sobre o povo português».
E o rasto de destruição que deixaram no País não deixa lugar a duas leituras. O que ficou - e esse é o estado da Nação - é um «País empobrecido, mais injusto e desigual», sublinhou o líder comunista.
Às «pragas» voltaria também a deputada Heloísa Apolónia, do PEV, para acusar Passos Coelho de esconder a contribuição por este dada para a sua propagação, nomeadamente ao viabilizar três planos de estabilidade e crescimento (PEC), os orçamentos de Estado do PS, a nacionalização do BPN e o acordo com a troika. «Não disse nada disto, porquê? Para não chegar à conclusão de que o PSD também é uma praga?», inquiriu a parlamentar ecologista, convicta de que o primeiro-ministro «começa e acaba o mandato com um problema sério de credibilidade na palavra».