de Coimbra
PCP constrói o futuro
Na 8.ª Assembleia da Organização Regional de Coimbra – que se realizou no sábado e contou com a presença de Jerónimo de Sousa – reforçou-se o Partido, aprofundou-se a análise da situação do distrito, revigorou-se a luta de massas em defesa dos trabalhadores e das populações, intensificou-se o trabalho de direcção e preparou-se as próximas eleições legislativas.
O PCP esteve sempre atento às lutas e preocupações das populações
Na intervenção de abertura, Vladimiro Vale, responsável pela Organização Regional de Coimbra e da Comissão Política do Comité Central do PCP, lembrou que a Assembleia «foi preparada num momento particularmente duro», em que «a amplitude da ofensiva em curso, a sujeição a interesses do capital, agravaram ainda mais os problemas estruturais e a vulnerabilidade do distrito e do País».
Segundo deu a conhecer, o número de trabalhadores da indústria decresceu 15 por cento entre 2007 e 2013, «num quadro em que nas décadas anteriores o aparelho industrial do distrito já tinha sofrido um grande rombo».
Na Casa Municipal da Cultura de Coimbra, o dirigente do PCP abordou ainda outros temas, como a agricultura e as pescas, o ataque aos serviços públicos, à saúde, à educação, à cultura, à água pública, aos transportes, o agravamento descontrolado do desemprego, assim como as consequências da política de direita na vida das pessoas.
Referiu, de igual forma, perante uma sala cheia de delegados e convidados, que desde a última Assembleia, em 2012, o período decorrido foi caracterizado «por uma intensa actividade partidária, pelo reforço da ligação e intervenção do Partido junto dos trabalhadores e das populações e pelo estímulo ao desenvolvimento de lutas reivindicativas em defesa de direitos conquistados pelo desenvolvimento regional», tendo-se recrutado, nos últimos três anos, 186 novos militantes, o que «demonstra potencialidades que é preciso aproveitar, desde logo integrando no trabalho do Partido esses novos militantes».
Como tarefa imediata, para além das eleições legislativas, Vladimiro Vale colocou como prioritário a construção da Marcha Nacional «A força do povo», no dia 6 de Junho, em Lisboa.
Defender serviços e funções sociais
O ataque aos serviços públicos do distrito esteve no centro do debate. «O PCP esteve sempre atento às lutas e preocupações das populações, procurando intervir ou ajudando na organização de comissões, e acompanhando até ao fim estas lutas», afirmou Fátima Pinhão, dando com exemplo os protestos em defesa dos tribunais, pela abertura de um acesso à A1 no concelho de Soure, ou contra a exploração de caulinos.
Naquele espaço exigiu-se ainda a reabertura do caminho-de-ferro da Pampilhosa. «A linha, as estações, os apeadeiros foram-se degradando e deixados ao abandono. Em 2009, o governo do PS encerrou a linha com o pretexto de que era necessário realizar obras que nunca passaram do papel. Com o Governo PSD-CDS a vergonha não só continuou como se agravou», denunciou-se, numa outra intervenção.
Relativamente à educação, para além da denúncia de encerramento de centenas de escolas do primeiro ciclo, alertou-se para o agravamento do reforço inerente ao sistema binário (politécnico/universitário). «A ameaça de uma estratégia de fusões e de encerramento de instituições, departamentos e cursos faz-se em nome de uma eficiência que tem aprofundado esta diferenciação, orientando o politécnico para as formações curtas, profissionalização, até aqui consideradas como ensino pós-secundário não superior», revelou Sérgio Dias Branco.
Por seu lado, Amílcar Cardoso sublinhou que a aplicação do programa da troika teve um impacto negativo no sistema científico nacional, «que viu o seu financiamento reduzido, muitos projectos congelados, o que provocou uma sangria sem precedentes de investigadores para o estrangeiro».
Jorge Seabra, informando que o Grupo Mello Saúde teve em 2014 mais de 30 por cento de lucro, frisou salientando que o investimento privado na Saúde só aconteceu porque existiu um pacto de regime com os partidos do arco da política de direita. Francelina Cruz acusou PS, PSD e CDS, pelas mãos do Conselho de Administração do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, de «uma má gestão dos recursos humanos»; Américo Grácio criticou o processo de privatização do Hospital de Cantanhede, «que desapareceu da rede nacional de hospitais públicos», depois de o Governo ter ali gastado 3,7 milhões de euros; e Maria Teresa disse que «a falta de pessoal é um dos problemas mais sentidos na área da saúde».
Autarquias e água
À discussão chegou ainda a denúncia, por parte de Ricardo Britos, que em Montemor-o-Velho «estamos a assistir a um assalto municipal ao bolso dos munícipes», através do aumento dos impostos.
Francisco Queirós alertou, por seu lado, para o acentuar do ataque ao Poder Local Democrático e à sua autonomia, através da alteração do próprio sistema eleitoral, para se constituírem executivos de um só partido, e da liquidação de centenas de freguesias.
Manuel Pires da Rocha salientou que a municipalização é a «reconfiguração do papel do Estado e privatização de parte das suas funções».
Por seu lado, Luísa Tovar falou da luta contra a privatização da água em Portugal e no mundo. «As lutas de proximidade e localizada já têm um património comum em que cada vitória entusiasma e possibilita outras lutas e vitórias. Faz parte da luta de classes, fomenta a consciência e tem hoje um enorme potencial de mobilização», sublinhou.
Lutar contra a exploração
Na Assembleia falou-se também de Festa do Avante!, escola de trabalho colectivo, que junta vontades e saberes na realização do interesse comum, onde é necessário, segundo Alfredo Campos, «ser criterioso nos gastos, rentabilizá-los, procurando que cada Festa seja um contributo para o reforço financeiro do Partido, indispensável para alargar a nossa intervenção junto das massas».
Ermínio Martins defendeu como prioritário o reforço da Organização e da intervenção do Partido junto da classe operária e dos trabalhadores nas empresas e nos locais de trabalho, assim como a ampliação do trabalho de recolha de fundos, em especial a Campanha Nacional para a Quinta do Cabo, o que permitirá «maior independência financeira, mais espaço e mais Festa».
Por seu lado, Isabel Magalhães falou das acções de reforço do Partido, que se traduziram numa percentagem de 65 por cento de contactos realizados a nível de Coimbra, sendo ainda necessário «tomar medidas que permitam assegurar a conclusão rápida desta acção, com todo o impacto positivo que têm no reforço do Partido».
Alma Rivera referiu que «é preciso intervir mais e com maior regularidade em escolas e nos locais de trabalho», bem como «recrutar e responsabilizar novos camaradas para diferentes tarefas, aumentando assim a autonomia dos colectivos» da JCP, e José Gil destacou «o trabalho nas empresas e locais de trabalho», que assumem «um redobrado significado». «As células de empresa têm um papel insubstituível na consciencialização dos trabalhadores, no agir em torno dos seus interesses e anseios comuns, organizados para a luta contra a exploração de que são vítimas», afiançou.
Jerónimo de Sousa
Inverter o rumo de desastre
Na 8.ª Assembleia da Organização Regional de Coimbra, Jerónimo de Sousa salientou que «só com uma política que assuma como prioritária a valorização da produção nacional, que distribua melhor a riqueza criada e esteja determinada, com o apoio popular, a enfrentar os constrangimentos que pesam sobre o País e que são factores de atraso, nomeadamente os níveis brutais da dívida pública e da dívida externa, se pode inverter este rumo de desastre nacional».
Falando de actividades concretas, o Secretário-geral do PCP deu o exemplo da produção de leite. «O nosso Partido não se tem cansado de denunciar o crime de lesa-pátria que constituiu o fim das quotas leiteiras», que, no dia 1 de Abril de 2015, acabaram «com o mecanismo de regulação do mercado, que garantia a países como Portugal, sem grande dimensão e com condições de solos e de clima desfavoráveis relativamente aos países do centro e Norte da Europa, o direito a produzir e a escoar a sua produção», afirmou.
Jerónimo Sousa falou ainda dos produtores de arroz do Baixo-Mondego, que este ano sofreram prejuízos brutais por causa de um fungo que destruiu entre 30 a 40 por cento da safra, sem que o Governo lhes tenha atribuído um apoio especial para continuar a sua produção.
O Secretário-geral do PCP lembrou ainda que Portugal tem hoje uma das maiores dívidas públicas do mundo. Em 2014 atingiu 130 por cento do Produto Interno Bruto, quando em 2008 era de 68,9 por cento. «Este é o resultado do recuo verificado na capacidade produtiva do País, mas é igualmente a consequência da especulação e das políticas de apoio ao sector financeiro que, a partir de 2009, desviaram milhares de milhões de euros para a banca, para tapar os buracos das suas operações fraudulentas e especulativas», denunciou.
Jerónimo de Sousa alertou, de igual forma, para o desinvestimento, em mais de dois mil milhões de euros, na educação, tendo a actual legislatura ficado marcada por um crescente apoio aos operadores privados, por uma política laboral marcada pela desvalorização social e profissional dos docentes, pela precariedade crescente, pela aplicação da mobilidade especial, agora designada de requalificação, pelo abandono de milhares de jovens com necessidades especiais.