Entrevista a Manuela Cunha,
da Comissão Executiva do PEV

Juntos conseguimos!

O Partido Ecologista «Os Verdes» (PEV) vai realizar nos dias 29 e 39 de Maio, no Fórum Lisboa, a sua 13.ª Convenção, sob o lema «Respostas Ecologistas – Juntos Conseguimos!». Em entrevista ao Avante!, Manuela Cunha fala da situação política do País e aponta caminhos, com o reforço da CDU nas próximas eleições legislativas, para concretizar as transformações necessárias para a construção de um futuro de paz, mais justo, livre e ambientalmente equilibrado.

Uma verdadeira mudança só pode acontecer com o fortalecimento da CDU

Como estão a decorrer os trabalhos preparatórios para a 13.ª Convenção do PEV?

A nossa Convenção, que equivale a um Congresso de outros partidos políticos, já começou há bastantes meses com a preparação de documentos e a realização de debates. Só neste fim-de-semana decorreram quatro reuniões em Setúbal, Lisboa, Santarém e Viseu, que são muito importantes, uma vez que envolvem companheiros que, por razões diversas, não poderão vir à Convenção, nomeadamente jovens que estão a trabalhar, mas que querem dar a sua opinião. Ou seja, nestas reuniões, que têm sido muito participadas, para além de se eleger os delegados, debate-se documentos que analisam a situação que hoje se vive no País, assim como na Europa e no mundo, afere-se e aponta-se perspectivas para melhorar a nossa intervenção, encontrando respostas ecologistas para a situação actual. Enfim, a Convenção está em andamento.

Quais os principais temas trazidos para o debate?
A base de partida é a moção global, que começa por relembrar que este Governo só existe porque mentiu aos portugueses. Eles estão no Governo atendendo a uma vontade de mudança do povo português que já não queria as políticas de austeridade do PS. Nestas nossas reuniões, é referida uma imagem de Passos Coelho, respondendo a uma jovem numa escola, a dizer que não ia aumentar os impostos. Noutras áreas, Passos Coelho, em campanha eleitoral, tinha prometido rever a situação da Barragem do Tua. O que é verdade é que ele persistiu na sua construção.

Outra questão que é abordada é que, de facto, não pode haver futuro para este País sem a renegociação da dívida. «Os Verdes» apontam um caminho, uma proposta, que passa por renegociar a dívida em juros, montantes e prazos. O pagamento da dívida deverá ser indexado aos índices de crescimento, por exemplo das exportações (cinco por cento). Se não renegociarmos essa dívida não haverá desenvolvimento possível.

Por outro lado, temos debatido a necessidade de parar com as políticas de austeridade e de promover justiça social, assim como refortalecer o Estado, contrariamente ao que se está a fazer. Os colectivos de «Os Verdes» têm vindo a manifestar, através dos nossos activistas, uma grande preocupação, que chega através da população, com a extinção dos serviços públicos, uma das formas que o Estado tem para garantir bem-estar à população portuguesa. Este fim-de-semana, na reunião em Castro Daire, tínhamos um companheiro de São João da Pesqueira que não teve outra alternativa senão vir de carro. Qualquer deslocação para a Convenção, nomeadamente do interior, será uma grande dádiva de militância.

Depois existem as questões da política de ambiente que se deseja e como ela deve ser transversal a todas as outras políticas. A mudança tem que passar pela educação e pelas escolas. Dos professores chegam-nos grandes preocupações, não só pelo desemprego que se gerou e pela redução de custos que tem levado a políticas desastrosas, mas porque a Escola Pública é o alimento da liberdade do futuro cidadão, da construção da cidadania.

A Convenção servirá também para preparar o futuro?
Vamos ter eleições legislativas. Estamos num momento decisivo da vida do País onde é importante que os nossos militantes e activistas saiam do debate fortalecidos de argumentos e de reflexão, para que a sua intervenção, junto do povo português, seja sólida e contribua para apontar políticas alternativas e construir a mudança que esperamos que seja feita neste grande espaço que é a CDU.

A Marcha Nacional «A força do povo» – Todos à rua por um Portugal com futuro, que se vai realizar no dia 6 de Junho, em Lisboa, será uma primeira tarefa a concretizar?
Nestas reuniões, uma das questões que é vista como muito importante é a vinda à Marcha, aliada à discussão à volta da importância de fortalecer «Os Verdes» e a CDU, espaço de luta com provas dadas na defesa intransigente dos direitos das populações. Para nós, obviamente, é um duplo esforço, são dois fins-de-semana seguidos, que serve de estímulo.

No entanto, há um conjunto de entraves. Na reunião de Viseu observei que grande parte dos companheiros jovens não estavam presentes porque, segundo me disseram, emigraram. Nós encontramos este problema em diversos núcleos do País.

Embora o PCP e o PEV sejam partidos diferentes, o que os une neste caminho que agora voltam a trilhar?
Há um ponto comum fundamental, a grande vontade de servir o nosso povo e o País. Isto é um pilar base desta Coligação, que também envolve os amigos da Associação Intervenção Democrática e outros independentes.

Há um espaço comum de análise em muitas questões, como a abordagem em relação àquilo que têm sido as políticas da União Europeia em relação ao nosso País, com a destruição do aparelho produtivo e de toda a produção nacional. A soberania alimentar é um fundamento do desenvolvimento ecologista. Não há ecologia com a importação de alimentos que fazem milhares de quilómetros.

Porque é que o País e os portugueses precisam desta alternativa de esquerda que a CDU lhes oferece nas próximas eleições?
É muito importante que os portugueses, por cansaço deste Governo, não se deixem novamente iludir e não desperdicem o seu voto. As políticas de austeridade tiveram início com o governo do PS, e foram agravadas e consolidadas por este Governo. Agora e sempre, a alternativa a esta política não são eles [PS, PSD e CDS] que a propõem.

Numa reunião que o secretário-geral do PS pediu aos «Verdes» após a sua eleição, colocámos-lhe algumas questões fundamentais, nomeadamente, sobre o encerramento de escolas e a concentração dos estudantes em mega-agrupamentos, sobre a questão da destruição e desmantelamento da ferrovia e sobre o Plano Nacional de Barragens. Nestas matérias e noutras colocadas responderam-nos que dariam continuidade à política actual, porque não discordavam com o que tinha sido seguido. Isto é, António Costa fez-se o perfeito herdeiro de José Sócrates.

Uma verdadeira mudança só pode acontecer com o fortalecimento da CDU. Só com a CDU a crescer é que pode haver uma correlação de forças que obrigue a políticas diferentes na Assembleia da República e à constituição de um governo diferente.

Jornadas Ecológicas

O Partido Ecologista «Os Verdes» realizou, de Setembro de 2014 a Fevereiro de 2015, em todos os distritos, umas Jornadas Ecológicas, para assinalar os principais problemas que afectam o País. Em debate estiveram áreas como a mobilidade e os transportes, o ambiente, a saúde e o urbanismo.

«Estas jornadas permitiram aos “Verdes” não só assinalar um conjunto de problemas que travam o nosso desenvolvimento e a qualidade de vida das populações, mas também recolher, a partir do contacto directo, outros problemas», afirmou Manuela Cunha, sublinhando que «o País está, de facto, atrofiado, e as pessoas estão a viver situações muito difíceis».




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