Sindicatos franceses exigem políticas alternativas

Pelos salários, direitos e emprego

Cerca de 300 mil pessoas participaram, dia 9, na jornada nacional contra a austeridade em toda a França, promovida pelas centrais sindicais CGT, FO, FSU e Solidaires.

Franceses mobilizam-se contra a austeridade

Trabalhadores dos sectores público e privado saíram à rua em 86 cidades de França, num dia em que mais de 800 pré-avisos de greve abrangeram os diferentes ramos de actividade.

Em Paris, cerca de 120 mil pessoas desfilaram no centro da cidade, onde grande parte dos museus, caso do Louvre e da própria Torre Eiffel, encerrou devido à greve dos funcionários.

As acções juntaram trabalhadores dos diversos sectores, precários, desempregados, jovens, reformados e pensionistas. A palavra de ordem «contra a austeridade e por políticas alternativas», como explicou o secretário-geral da CGT, Philippe Martinez, significa «a revalorização dos salários, a redução do tempo de trabalho e a criação de emprego».

Mas para além do aumento dos salários, congelados no sector público há cinco anos, os sindicatos exigem a retirada da chamada lei Macron, diploma que fragiliza ainda mais os vínculos laborais, facilita os despedimentos, banaliza o trabalho ao domingo, suprime as compensações pelo trabalho nocturno e possibilita o alargamento do horário máximo de trabalho de 35 horas semanais.

Os sindicatos opõem-se igualmente à diminuição das cotizações patronais para a segurança social e aos benefícios fiscais, num montante global de 40 mil milhões de euros, bem como à redução de 50 mil milhões de euros na despesa pública, ou seja, nas despesas sociais do Estado.

Um espelho de conflitos

Na manifestação destacou-se a presença dos trabalhadores da estação pública Radio France, que cumpriam o seu 22.º dia de greve, em defesa dos postos de trabalho e da rádio pública.

Aguerrida foi também a participação dos metalúrgicos da empresa de material ferroviário «Sambre et Meuse», situada perto de Maubeuge, na região Nord-Pas-de-Calais. Aqui, cerca de 260 operários ocupam as instalações fabris desde o seu encerramento a 18 de Março, reclamando indemnizações e a viabilização da empresa.

Trabalhadores de muitas outras empresas deram conta na manifestação dos numerosos conflitos entre capital e trabalho, nos quais estão em causa salários, condições laborais e postos de trabalho.

Na plataforma logística da Amazon, em Chalon-sur-Saône, na Borgonha, os trabalhadores lutam por aumentos salariais. A mesma reivindicação trouxe pela primeira vez várias dezenas de trabalhadores da rede comercial de cosméticos Sephora.

No Carrefour Market, está em curso há dois meses um movimento grevista, baptizado «fim-de-semana de cólera», contra o trabalho nocturno e ao domingo. Na Airbus de Nantes, os trabalhadores a prazo estão sob ameaça de perderem o emprego no final do contrato.

Fora da capital, decorreram importantes manifestações em várias cidades, nomeadamente Marselha, com 45 mil pessoas; Bordéus, dez mil, Lyon, nove mil; Toulouse, oito mil; Nancy, Nîmes e Rouen, cinco mil; Rennes, três mil; ou ainda Nice e Tour, com dois mil manifestantes.

Na sua página na Internet, a CGT salienta o apoio recebido da central portuguesa CGT-IN, saudando «as organizações e os trabalhadores e trabalhadoras francesas em luta», contra «o congelamento dos salários, em defesa das reformas complementares, pelo reforço dos serviços públicos, pelo aumento dos salários e pelo relançamento da economia, bem como pela rejeição do projecto de lei Macron».

Na sua mensagem, a Intersindical refere ainda que «é por razões muito semelhantes que a CGTP-IN organiza em Portugal a resistência e luta contra as políticas de austeridade e de empobrecimento e de ofensiva contra os direitos dos trabalhadores e do povo».




Mais artigos de: Europa

Liberdades em risco

Mais de 18 mil pessoas de todos os continentes deram a sua cara para um original protesto de imagens em três dimensões sonorizadas contra a recém-aprovada «lei da mordaça».

Greve prossegue na Radio France

Os trabalhadores da Radio France decidiram, dia 10, em assembleia geral, prosseguir a greve iniciada a 22 de Março, contra o plano de economias que visa reduzir o orçamento do grupo público em 20, 3 milhões de euros nos próximos três anos. O plano de...

Europeus cortam na alimentação

Metade dos cidadãos de países europeus reconhece não ter uma dieta variada por razões económicas, segundo indica um estudo realizado pelo instituto italiano de sondagens SWG. O inquérito abrangeu mais de duas mil pessoas em Itália, Alemanha, França e Reino...

1,5 milhões sem rendimentos

Um total de 1 485 700 pessoas vivem em Espanha sem qualquer rendimento, segundo apurou, dia 12, a agência noticiosa Servimedia, com base em dados do Instituto Nacional de Estatística. Deste universo, 359 900 pessoas vivem sós; 324 800 formam agregados de duas pessoas (21,9%);...

A UE e a paz

Vale a pena voltar às declarações recentes do presidente da Comissão Europeia sobre a necessidade de constituição de um exército europeu, que se possa colocar ao serviço da política externa da União Europeia, dando-lhe assim...