Apagão
Foram mais de 2000 os que rumaram a Loures no fim-de-semana e encheram por completo o pavilhão Paz e Amizade. Um dia inteiro em que se deu voz não só ao dramático diagnóstico da situação nacional, mas sobretudo às soluções que o PCP aponta para responder aos graves problemas do País. Sem hesitações ou ambiguidades, o PCP foi claro! Romper com o rumo de declínio nacional, abrir as portas a uma política patriótica e de esquerda, convergir com democratas e patriotas, assumir todas as responsabilidades que o povo português lhe queira atribuir. Para quê? Para renegociar a dívida; defender a produção nacional; recuperar o controlo público dos sectores estratégicos; aumentar salários, pensões e rendimentos da população; defender os serviços públicos; impor justiça fiscal; recuperar e afirmar a soberania do País.
Quem lá esteve ouviu, viu e aplaudiu as dezenas de intervenções realizadas, sentiu o pulsar das muitas lutas que têm sido travadas, assimilou ideias para essa tão importante batalha política que serão as próximas eleições legislativas, vibrou com o anúncio de uma grande acção no próximo dia 6 de Junho, confirmou a unidade e coesão do PCP e a ampla convergência que se constrói no quadro da CDU, juntamente com o PEV e também a ID.
O apagão que se seguiu na comunicação social foi directamente proporcional à força, à determinação e à confiança que emergiu deste encontro. Se é verdade que já pouco nos pode surpreender em matéria de silenciamento, manipulação e deturpação das posições do PCP, não pode deixar de ser revoltante a forma escandalosa como esta importante iniciativa foi escondida ao povo português. Nem uma única imagem da sala se registou na imprensa escrita, nem um plano mais ou menos aberto da massa que enchia o pavilhão. Nem uma das nossas propostas foi chamada para destaque. Nada! Apenas umas dezenas de segundos nos noticiários da noite com a imagem focada no Secretário-geral do Partido que tanto poderia estar ali como numa sala com 20m2 a falar para meia dúzia de jornalistas.
Mas ainda bem que fizemos um grande encontro, ainda bem que foram tantos os que nele participaram, porque essa foi e será a mais sólida garantia que não haverá descriminação capaz de travar essa força imensa para a mudança de que o País precisa!