Ziguezague, zague, zague
O ziguezague é um ideia frequente sobre o PS e a sua intervenção nas questões mais essenciais do quadro económico, social e político. Em si mesmo, isso traduz a fraca expectativa de (in)consistência e (in)verdade obtida pelo PS, mesmo nos que o apoiam, e ao fim de quarenta anos, metade dos quais no governo e na presidência, (quase) sempre com largos apoios no poder económico-mediático.
Os zigezagues do PS, mais que as circunstâncias, traduzem um ADN de oportunismo. O PS, como definimos no XIX Congresso do PCP, é um «partido da política de direita, mascarado com um discurso de “esquerda” para iludir os muitos milhares de eleitores socialistas que aspiram sinceramente a uma ruptura com a política de direita».
O “discurso de esquerda” do Congresso do PS não traduziu qualquer vontade de romper com a política de direita, mas apenas o objectivo de enganar os eleitores, diminuir o PCP e abrir caminho a uma alternância que continue a política de direita. Por isso, o grande capital já escolheu o PS, com a sua actual direcção, convencido que por lá passará a política de direita do próximo governo.
Falando dos últimos tempos, os ziguezagues do PS, à bolina do «estado de graça» mediático (e interno), são mais frequentes que em momentos anteriores. A. Costa meteu o pisca à esquerda contra o conceito de «arco da governação», mas virou à direita e instalou-se no «arco da política de direita», com o objectivo da maioria absoluta, e saiu do encontro com P. Coelho a falar de «entendimentos» em 2015; disse que a dívida «teoricamente» pode ser ajustada, mas afinal «é sustentável» e não se compromete nem com a renegociação, nem com quaisquer medidas de ruptura – controlo público da banca, defesa da produção nacional, alteração das políticas de direitos e rendimentos...
A. Costa continua a «fazer de morto»: quando é «obrigado» faz que se move e que fala, mas nada diz ou mexe no essencial – Programa de Governo (?), agora «não é o momento», venham opiniões, que lá para Maio, perdão talvez Junho, ou no dia de São Nunca à tarde, então ver-se-á.
O PS está há anos à espera que o poder lhe caia no regaço, para continuar no essencial – ziguezague, zague, zague – a mesma política de direita. É urgente esclarecer!