Não à pobreza e desemprego
Uma greve geral paralisou a Grécia, dia 27, em repúdio pelas desastrosas políticas de austeridade e contra a permanência da troika no país.
Greve geral na Grécia pela mudança de políticas
A greve teve a adesão massiva de trabalhadores dos sectores público e privado. Os caminhos-de-ferro não circularam, assim como a generalidade dos transportes públicos urbanos e marítimos.
Todas as companhias aéreas que operam no país cancelaram a totalidade dos voos previstos. Pararam também os portos, os serviços públicos locais, as escolas e universidades, repartições da administração central, tribunais e hospitais.
Os meios de comunicação social gregos iniciaram na véspera uma paralisação de 24 horas, que se traduziu na ausência de jornais nas bancas e de espaços informativos nas televisões e rádios.
Os profissionais da informação exigem a negociação de um contrato coletivo, o fim do trabalho precário e a reabertura da televisão pública, ERT, encerrada em Junho do ano passado por decisão do governo de Samaras.
A segunda jornada de greve geral realizada este ano (a primeira decorreu em Abril) foi marcada por manifestações massivas quer na capital Atenas, quer em dezenas de outras cidades.
Promovida pelas principais centrais sindicais, GSEE (do sector privado), Adedy (sector público) e pela Frente Sindical de Todos os Trabalhadores (PAME), a jornada de luta reafirmou como exigências o respeito pela contratação colectiva, a reposição do salário mínimo em 751 euros, o estabelecimento da pensão mínima em 600 euros, bem como a devolução dos cortes de salários e direitos efectuados desde a intervenção da troika em 2010.
Governo negoceia novo resgate
No próprio dia da paralisação, o governo grego reconheceu que está a negociar o prolongamento do programa de resgate financeiro.
De acordo com a imprensa, depois de seis anos de recessão que lançaram um quarto da população activa no desemprego, a troika exige mais medidas de redução da despesa, nomeadamente o despedimentos de 5500 funcionários públicos, a redução de direitos laborais, permitindo o livre despedimento, ou ainda uma nova redução das pensões que se juntará ao fim da moratória sobre os despejos no final deste ano.
O novo pacote de medidas antipopulares colocam a coligação governamental numa situação ainda mais delicada, tanto mais que é possível que o país se encaminhe para eleições antecipadas no início de 2015, altura em que o parlamento deverá eleger o novo Presidente da República.
A eleição do chefe de Estado necessita do voto de 180 deputados, num hemiciclo com 300 lugares. Como os partidos do governo só dispõem de 155 deputados, o provável impasse terá de ser resolvido com eleições legislativas, tal como prevê a Constituição.