16.º EIPCO

Pedro Guerreiro

Encontro Internacional constituiu um importante espaço de debate

De 13 a 15 de Novembro, realizou-se em Guayaquil, no Equador, o 16.º Encontro Internacional de Partidos Comunistas e Operários (EIPCO). Um Encontro que foi acolhido pelo Partido Comunista do Equador e que contou com a participação de 53 delegações de partidos comunistas dos cinco continentes, entre os quais o Partido Comunista Português.

Este Encontro Internacional constituiu um importante espaço de debate, permitindo uma ampla troca de opiniões, de informações e de experiências, tendo sido adoptado um conjunto de linhas de orientação para a acção comum ou convergente durante o próximo ano.

A realização do 16.º EIPCO no Equador (seis anos depois de ter tido lugar no Brasil) permitiu um melhor conhecimento dos exigentes desafios que se colocam aos processos de afirmação soberana, progressistas e revolucionários que têm lugar na América Latina e nas Caraíbas – de que Cuba é expoente exemplo. Processos que têm vindo a constituir um importante factor de resistência anti-imperialista no plano mundial e a dar um significativo contributo para a luta pela construção de alternativas de desenvolvimento e progresso social e pela emancipação social e nacional.

No Encontro foram colocadas em evidência grandes tendências que marcam a actual evolução da situação internacional, como o aprofundamento da crise estrutural do capitalismo, a ofensiva contra as transformações e avanços alcançados pelos trabalhadores e os povos, a séria ameaça à paz que representa a aposta do imperialismo na guerra e no fascismo, o complexo e vasto processo de rearrumação de forças que se verifica à escala mundial, a resistência e as lutas dos trabalhadores e dos povos que tem lugar por todo o mundo.

Do debate realizado salienta-se que, apesar dos grandes perigos que resultam da ofensiva do imperialismo, confirma-se não só a premência, mas igualmente a possibilidade do desenvolvimento da luta dos trabalhadores e dos povos travar os sectores mais reaccionários e agressivos do imperialismo, derrotar a sua ofensiva exploradora e opressora, e conquistar processos de transformação progressista e revolucionária – que, por diversificados caminhos e etapas, apontem como objectivo a construção do socialismo.

Constatando-se a existência de naturais e inevitáveis diferenças, continuaram, no entanto, a manifestar-se sérias divergências que, pela acentuação e absolutização que alguns partidos nelas colocam, impossibilitaram a adopção de uma Declaração final pelo 16.º EIPCO, tendo o partido anfitrião do Encontro tomado a iniciativa de elaborar um Comunicado da sua responsabilidade.

Como salientou neste Encontro, o PCP contribuirá para o encontrar de soluções que permitam ultrapassar dificuldades e que contribuam para o fortalecimento do movimento comunista e revolucionário internacional, com base nos princípios de igualdade, respeito mútuo, não ingerência nos assuntos internos e solidariedade recíproca, e rejeitando as diferentes formas de oportunismo, seja na sua expressão de adaptação ao sistema ou dogmática e sectária que, como a experiência comprova, dificultam o exame franco e fraternal de problemas comuns e prejudicam a unidade do movimento comunista, incluindo a unidade na acção contra o inimigo comum.

Neste mesmo sentido, o PCP empenha-se na solidariedade internacionalista com as forças políticas e sociais que, nos respectivos países, lutam em defesa dos interesses dos trabalhadores e dos povos, assim como no alargamento e maior expressão da frente anti-imperialista.




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