Plenário Nacional de Quadros
sobre a Festa do Avante!

Levar a mudança ao Cabo

Mais de 200 militantes comunistas vindos de todo o País debateram, sábado, 15, o futuro da Festa do Avante! e as exigências que se colocam com a compra da Quinta do Cabo. O objectivo é aproveitar o alargamento do espaço para fazer uma Festa melhor.

O desafio está lançado. Foi, aliás, suscitado quando, na abertura da 38.ª Festa do Avante!, o Secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, anunciou a compra pelo Partido da Quinta do Cabo, vizinha à Quinta da Atalaia, e o arranque de uma campanha de fundos destinada a garantir que o Partido cumpre o compromisso financeiro assumido de 950 mil euros.

Desde então, falar da Festa é reforçadamente falar de futuro. Já o era, tratando-se da Festa do PCP e de Abril, surgida nas condições criadas pela Revolução e pelas suas grandes conquistas democráticas. Mas as perspectivas de desenvolvimento colocadas pela aquisição do novo terreno vieram impulsionar o interesse, estimular a criatividade, alimentar o sonho e as sinergias em torno da Festa e das profundas mudanças que previsivelmente ocorrerão, a partir de 2016, quando a Festa chegar ao bonito número de 40 edições.

A dinâmica que neste momento está em marcha só é comparável ao observado aquando da preparação da primeira Festa na Amora-Seixal, em 1990, importando, no entanto, assegurar em todo o colectivo partidário, e para além dele, o empenho em contribuir para a afirmação e valorização da Festa, para «a definição integrada de linhas de trabalho que assumam as [suas] múltiplas dimensões – política, cultural, desportiva, gastronómica, de solidariedade e amizade», de «espaço de liberdade, convívio e alegria», como se detalhava no prospecto dos tópicos para um debate alargado, participado e construtivo.

Foi o colectivo, o grande colectivo partidário que ali esteve a discutir durante todo o dia de sábado, o que, só por si, sublinha uma das características que diferenciam o PCP e, por consequência, a maior iniciativa político-cultural nacional, realizada pelos comunistas portugueses.

Singularidade à qual se juntaram o saber experimentado de muitas festas levadas a cabo e não menos obstáculos e debilidades superados, o profundo conhecimento dos problemas e limitações e uma enorme confiança na capacidade de as vencer concretizando soluções, amiúde ímpares e inovadoras do ponto de vista técnico e plástico, e desenvolver métodos de trabalho que as possibilitam.

Dezenas de intervenções feitas por quadros do PCP com diferentes sensibilidades, responsabilidades e níveis de ligação à Festa do Avante! (expressando opiniões e sugestões individuais ou apuradas nas organizações partidárias), foram, assim, expressão dessa vontade de aproveitar mais espaço para fazer uma Festa melhor, consolidando-a como um poderoso instrumento de combate a preconceitos anticomunistas, de projecção dos valores e projecto do PCP.

Tudo isto considerando que o Partido não pára para a Festa que há-de vir, que é o mesmo que dizer que o processo tem de decorrer articulado com a preparação e concretização da Festa do Avante! de 2015, já agendada para os dias 4, 5 e 6 de Setembro, lembrou Alexandre Araújo, do Secretariado do Comité Central.

Paralelamente, há que dar resposta às múltiplas tarefas que se colocam ao ao Partido, nomeadamente a iniciativa política no quadro das legislativas (caso estas se realizem após a 39.ª edição da Festa), notou, por seu lado, Carlos Gonçalves, da Comissão Política do PCP, para quem o sucesso está na articulação das várias vertentes da nossa intervenção e luta.

Harmonia da Festa

A abrir os trabalhos, Ruben de Carvalho, em nome da comissão de espectáculos da Festa, manifestou-se favorável à manutenção dos Palcos 25 de Abril e 1.º de Maio nos actuais locais, uma vez que do ponto de vista sonoro e enquanto elementos de atracção de público não se justificam mudanças. Pelo contrário, os espaços envolventes ao Palco 25 de Abril, sobretudo a Cidade da Juventude, o Pavilhão Central (onde se incluem Cineavante, exposições do Partido e artes plásticas), e o Avanteatro podem ser deslocados garantindo melhores condições para o seu funcionamento e para os visitantes, referiu, antes de frisar a necessidade de a Festa ter uma sala com condições acústicas para espectáculos mais intimistas, com um número de lugares a rondar os 600. Algo que poderia derivar da reformulação do Café Concerto de Lisboa. Ideias que devem ter em conta a redistribuição dos principais pontos de concentração da Festa de forma a que o novo terreno «não fique aqui ao lado», acrescentou.

Para além da reformulação e distribuição, por todo o terreno, dos mais atractivos pólos de interesse da Festa, da eventual criação de novos, em particular no âmbito da música e dos espectáculos – da JCP, do grupo de trabalho do Palco Arraial e das organizações regionais de Leiria e Braga vieram contributos para a manutenção e valorização dos palcos locais e para o alargamento do espectro musical patente, bem como, no caso da juventude, para o prolongamento do horário da Festa num palco específico para o efeito –, também a reconfiguração das vias de circulação, das entradas da Festa e o seu afastamento da zona habitacional envolvente, e a relocalização e requalificação do acampamento interior mais próximo dos estaleiros, estiveram entre os temas abordados. A este respeito, Ricardo Carneiro apresentou um conjunto de projectos a explorar, tendo igualmente em primeiro plano a ligação harmoniosa entre as duas quintas e o enquadramento da Festa com a Baía do Seixal.

Melhores condições

No centro da discussão estiveram, ainda, a melhoria das condições de preparação, funcionamento e acolhimento de visitantes e construtores, a concepção, projecto, construção e serviços, consubstanciando, assim, dois dos quatro tópicos do debate incentivado pelo PCP.

Jorge Alves, do Sector Intelectual da Organização Regional de Lisboa (ORL), sugeriu a adopção de materiais mais versáteis, menos dispendiosos e a exigirem menos trabalho voluntário para o seu manuseamento, opinião acompanhada por Francisco Ferrer, também da ORL, para quem esta necessidade não deve, no entanto, alterar o cerne da implantação e da Festa, mantendo-a sempre bonita e nova a cada ano e catalisadora da militância no período da construção. Profundo conhecedor da Festa, Francisco Ferrer, tal como uma camarada que falou em nome da Organização Regional de Aveiro, consideram importante a existência de melhores condições de armazenamento dos materiais, tendo o militante lisboeta proposto mesmo a construção de uma nave logística com cais de carregamento.

A experiência mostra que nos aspectos do funcionamento e serviços, as alterações têm sido impulsionadas pelas necessidades, recordou, por seu lado, Paulo Loya, do Secretariado da Festa do Avante!. O colectivo partidário deu sempre uma extraordinária resposta e voltará a fazê-lo para superar debilidades identificadas por vários camaradas nas áreas da limpeza, logística, ambiente sonoro, acessibilidades, espaços de merenda, de estar e para as crianças, e mais capacidade para a pernoita de visitantes e construtores da Festa, salientou.

No mesmo sentido, Telma Capucho, também do Secretariado da Festa, lembrou que o improviso não resolve as condicionantes do terreno, da funcionalidade da Festa e dos espaços, nem o necessário envolvimento das organizações, defendendo, por isso, a manutenção do critério e da planificação no trabalho, e a sua conjugação com a preservação da matriz modular da Festa e com o seu rejuvenescimento anual, na arquitectura como na decoração.

 

Continuar o debate

O Plenário Nacional de Quadros foi de uma riqueza e diversidades extraordinárias. O aprofundamento do conteúdo político e cultural da Festa, a sua promoção, divulgação e contínuo alargamento às amplas massas, foram, por isso, também tratados.

Muitos foram os camaradas (de Braga, de Aveiro, do Porto, do Alentejo), que insistiram na necessidade de preservar e aprofundar elementos que a distinguem e enriquecem – da gastronomia ao artesanato, dos saberes aos costumes populares.

Luís Caxeiro, da DORL do PCP, abordou a Festa como expressão e afirmação dos princípios, valores e projecto do Partido e no quadro da sua actividade regular. Daí a importância de manter em funcionamento os colectivos da Festa ao longo de todo o ano (o que foi igualmente salientado por Américo Sousa, de Braga); do tratamento das jornadas de trabalho nas vertentes da responsabilização, agilização de competências e rentabilização do trabalho, mas também como lugar de aprendizagem, troca de experiências, convívio fraterno e reforço dos laços entre camaradas.

Manuel Rodrigues, membro da Comissão Política do PCP e director do Avante!, enfatizou o aprofundamento do lugar e destaque do Avante! na Festa e a sua valorização como instrumento próprio da intervenção do Partido, ao passo que Ana Pato e Joana Flores, em nome do Departamento de Propaganda e do Gabinete de Imprensa, respectivamente, estimularam o colectivo a explorar e a rentabilizar a divulgação da Festa, acentuando a sua diversidade, em vários meios e formas de comunicação. A este respeito, a iniciativa própria também conta, e muito, servindo de exemplos o concurso de bandas da JCP – a mais Festa corresponde mais concurso de bandas, lembrou Cecília Loia – ou a realização do comboio da juventude para a Festa, disse Duarte Alves.

O debate continua, e nesse contexto importa recolher contributos, sendo certo que só teremos mais e melhor Festa, encarada como um todo e, assim, mais que a soma das partes, se tivermos mais e melhor Partido, concluiu Alexandre Araújo, para quem é preciso enquadrar, traçar objectivos e prioridades e direccionar o colectivo para um propósito comum.

 



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