Luta dos ferroviários é exemplo da indignação no sector

Repor direito histórico nos carris

Trabalhadores ferroviários no activo e reformados marcharam, quinta-feira, 6, contra o roubo do direito ao transporte, luta à qual se somam outras jornadas levadas a cabo no sector expressando a indignação e protesto contra a actual política e Governo e suas consequências.

São justas as reivindicações dos ferroviários e noutras empresas de transportes

No centro das reivindicações da jornada ocorrida faz hoje uma semana esteve a retirada, pelo executivo PSD/CDS em sede de Orçamento do Estado (OE), do direito ao transporte, garantido «desde os primórdios do caminho-de-ferro [em Portugal]» a trabalhadores ferroviários e seus familiares, e que nem a ditadura fascista ousou liquidar. Daí que a manifestação em defesa da revogação do artigo 142 do actual OE tenha terminado junto à Assembleia da República com a entrega aos partidos com representação parlamentar de uma carta contendo essa mesma exigência.
À excepção do CDS, todos os grupos com assento no hemiciclo receberam a missiva subscrita pelas comissões de trabalhadores da CP, REFER, EMEF e CP Carga, pela Comissão Central de Reformados, Sindicato Nacional dos Trabalhadores do Sector Ferroviário (FECTRANS/CGTP-IN), e pelos sindicatos Snaq, Sinaf, Sinfa, Sindefer, Sinfese, Siofa, Sinfb e Sensiq.
O texto foi recebido pelo PCP e, em nome do Partido, o deputado Bruno Dias deslocou-se junto aos trabalhadores e reformados ferroviários, solidarizando-se com a sua luta. Na ocasião, o também membro do Comité Central informou que, entre as primeiras 18 propostas de alteração apresentadas ao OE para 2015 pelo grupo parlamentar comunista, está precisamente a reposição do direito ao transporte, liquidado há dois anos e que o Governo pretende manter para o próximo ano.
 

Sobejam razões

Se é justa a reclamação dos trabalhadores e reformados ferroviários, não são menos justas as reivindicações e lutas levadas a cabo noutras empresas de transportes. É o caso da greve realizada, a 5 de Novembro, nas empresas de transportes do distrito de Braga pertencentes aos grupos alemão Arriva e francês Transdev.
Na segunda paralisação ocorrida este mês (e a quarta desde o início da luta), sobressai a exigência comum de aumentos salariais e do pagamento do chamado tempo de disponibilidade como tempo de trabalho, isto para além de questões específicas em cada empresa. Caso as administrações continuem a recusar o processo negocial proposto pela FECTRANS, novas greves estão já agendadas para os próximos dias 3 e 4 Dezembro, informou a Federação.

Já esta semana, os protestos que percorrem o sector expressando a indignação dos trabalhadores com a actual política e Governo e as suas consequências, fizeram-se sentir, igualmente, no Metropolitano de Lisboa. Dezenas de reformados convocados pela Comissão de Reformados e Pensionistas da empresa concentraram-se na estação de Baixa-Chiado para exigir o fim da suspensão do complemento de reforma, que o Governo mantém no OE para 2015 e que afecta também os ex-funcionários da Carris.
Trabalhadores empurrados para a reforma antecipada com a promessa de que receberiam uma minimização da penalização aplicada pela Segurança Social, exigiram ser recebidos pelo secretário de Estado, Sérgio Monteiro, explicou à Lusa Diamantino Lopes, da Comissão de Reformados, mas até ao dia da manifestação não haviam recebido qualquer confirmação da reunião.

Na Scotturb, os trabalhadores decidiram em plenário realizado sábado, 8, aguardar pela resposta da administração às suas reivindicações, mas caso não vejam as suas exigências satisfeitas decidirão, em plenário agendado para dia 22, novo dia de greve na empresa, informou a FECTRANS. Na Atlantic Cargo (Grupo Barraqueiro/Arriva), por seu lado, também no sábado, 8, os motoristas aprovaram o caderno reivindicativo, discutido em três plenários realizados nas instalações do STRUP em Santarém, tendo, para mais, eleito quatro delegados sindicais.

 



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