Renegociar a dívida, saída do euro, controlo público da banca

Ir às compras a Paris...

Aos deputados da maioria que disseram que o Governo não rasga os contratos internacionais, respondeu Bruno Dias, salientando bem saber que para o PSD e o CDS neste capítulo a sua especialidade é outra: «rasgar contratos mas com o povo».

«É essa a opção que têm assumido sistematicamente, rasgar contratos com os reformados, com os jovens, com os trabalhadores da administração pública», criticou, condenando ainda os partidos da maioria por usarem a dívida como «arma apontada às pessoas e aos seus direitos».

O facto de a desvalorização da moeda significar o encarecimento dos produtos estrangeiros – esse foi outro papão agitado no debate por PSD e CDS-PP – não passou também sem resposta, com Bruno Dias a registar nada ter sido dito pela maioria governamental quanto aos nossos sectores produtivos, à produção nacional, às consequências para os sectores exportadores de uma «moeda forte desenhada à medida da Alemanha e das grandes potências».

«O que é preciso não é uma medida para ir às compras em Paris, é uma moeda para pôr Portugal a produzir, para substituir importações por produção nacional, poder exportar com melhores condições», sustentou, lamentando que PSD e CDS-PP apenas queiram «amarrar o País ao garrote do euro, ao garrote de uma dívida crescente».

 



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A primeira grande componente a executar deve ser assim a da renegociação da dívida, sem prejuízo da aplicação das medidas específicas presentes em cada uma das três componentes da proposta, sempre susceptíveis de aplicação individual ou de forma entrosada.
Quanto à libertação do País do euro, «salvo precipitação imposta por circunstâncias ou poderes europeu», como é dito no projecto de resolução, poderá vir a constituir-se num «processo mais moroso», exigindo a «activação e o desenvolvimento de todos os mecanismos nacionais» com vista a preparar essa nova realidade.
A recuperação do controlo público da banca, que pode ocorrer a «diferentes ritmos», em articulação com o processo de renegociação da dívida e de libertação do País do euro, assume por seu lado o «valor próprio da colocação da poupança, dos recursos e da actividade financeira» ao serviço do povo e do País.

 

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