Valorizar a agricultura portuguesa

«Portugal a Produzir»

Em 2010, o PCP lançou na Festa do Avante! a cam­panha «Por­tugal a Pro­duzir», des­ti­nada a afirmar o valor es­tra­té­gico da pro­dução na­ci­onal e o apro­vei­ta­mento das po­ten­ci­a­li­dades do País, para a cri­ação de em­prego, o com­bate à de­pen­dência ex­terna e a afir­mação de uma via so­be­rana de de­sen­vol­vi­mento.

Um dos temas abor­dados prende-se com os «con­tornos da des­truição do apa­relho pro­du­tivo», no­me­a­da­mente da «agri­cul­tura por­tu­guesa». No ca­pí­tulo III, do livro «Por­tugal a Pro­duzir – Aná­lises e con­tri­bui­ções do PCP», dá-se conta de que de 1989 a 2009 se per­deram perto de 300 mil ex­plo­ra­ções, e que, no mesmo pe­ríodo, a su­per­fície agrí­cola também teve uma grande re­dução, menos cerca de 337 mil hec­tares.

Um dos pro­blemas evi­den­ci­ados prende-se com a pro­du­ti­vi­dade média do tra­balho agrí­cola em Por­tugal, no âm­bito da União Eu­ro­peia, que é baixa, es­pe­ci­al­mente se com­pa­rada com a dos países mais de­sen­vol­vidos. Isto é par­ti­cu­lar­mente sen­tido nas ex­plo­ra­ções de pe­quena e muito pe­quena di­mensão eco­nó­mica.

Outra grande pre­o­cu­pação é o enorme en­ve­lhe­ci­mento dos agri­cul­tores, que se acentua im­pla­ca­vel­mente. «As pe­quenas e mé­dias ex­plo­ra­ções agrí­colas não aguen­taram a con­cor­rência co­mu­ni­tária e de ou­tros países, a li­be­ra­li­zação dos mer­cados, a de­si­gual­dade dos apoios, a des­cida real dos preços ao pro­dutor e a su­bida dos custos de pro­dução, as su­ces­sivas ver­sões da Po­lí­tica Agrí­cola Comum (PAC), po­ten­ci­adas nos seus as­pectos mais ne­ga­tivos pelas po­lí­ticas na­ci­o­nais, in­cluindo o de­sa­pro­vei­ta­mento e de­la­pi­dação de fundos e re­cursos», cri­tica o PCP.

Ca­minho para a li­qui­dação

A pro­pó­sito da pu­bli­cação dos re­gu­la­mentos da Co­mu­ni­dade Eu­ro­peia re­la­tivos à PAC para o pe­ríodo 2014/​2020, num pro­jecto de re­so­lução apre­sen­tado na As­sem­bleia da Re­pú­blica, o Par­tido su­blinha que «a re­forma da PAC não re­solve os pro­blemas das an­te­ri­ores re­formas e re­pre­senta uma der­rota para a agri­cul­tura e o País». «Ao eli­minar as quotas lei­teiras e ao abrir o ca­minho para a li­qui­dação dos di­reitos de plan­tação de vinha, põe em causa pro­du­ções em que o País é auto-su­fi­ci­ente (leite), ou que são para nós es­tra­té­gicas (vinha)», de­fendem os de­pu­tados co­mu­nistas.

A nova PAC torna ainda mais di­fícil o País re­cu­perar a pro­dução da be­ter­raba sa­ca­rina, não ga­ran­tindo se­quer que a in­dús­tria re­fi­na­dora na­ci­onal tenha acesso à ma­téria-prima ne­ces­sária para la­borar em con­di­ções ren­tá­veis, com uti­li­zação de toda a ca­pa­ci­dade ins­ta­lada.

«Se há pro­dução agro-ali­mentar exem­plar das po­lí­ticas de di­reita em Por­tugal, é cer­ta­mente a da be­ter­raba sa­ca­rina e do açúcar. Uma po­lí­tica que sem so­lu­ções de con­ti­nui­dade es­teve pre­sente du­rante a di­ta­dura fas­cista, atra­vessou o 25 de Abril e chegou aos dias de hoje», lê-se num outro pro­jecto de re­so­lução apre­sen­tado pelo PCP, que há dé­cadas se bate pela pro­dução de be­ter­raba sa­ca­rina em Por­tugal e que de­nun­ciou e re­clamou do crime eco­nó­mico le­vado a cabo pelo go­verno PS em 2006/​2007.




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Para o PCP, a de­fesa da pro­dução na­ci­onal, nos seus grandes ramos de ac­ti­vi­dade – agri­cul­tura e flo­resta, pescas, in­dús­trias trans­for­ma­doras e ex­trac­tiva – sempre cons­ti­tuiu uma «ban­deira po­lí­tica», uma vez que não há pá­tria so­be­rana e in­de­pen­dente sem pro­dução ma­te­rial.

Em 1977, nas con­clu­sões da Con­fe­rência Na­ci­onal do PCP «A saída da crise» pode ler-se: «O au­mento de pro­dução com a má­xima uti­li­zação dos re­cursos na­ci­o­nais é uma exi­gência im­pe­ra­tiva e pri­meira con­dição para o equi­lí­brio da ba­lança de pa­ga­mentos e a re­cu­pe­ração eco­nó­mica do País».

Com a po­lí­tica de di­reita pros­se­guida por PS, PSD e CDS, a pro­dução na­ci­onal es­teve sempre con­di­ci­o­nada, sub­me­tida e guiada pelos in­te­resses do grande ca­pital na­ci­onal e es­tran­geiro e dos grandes grupos mo­no­po­listas, o que levou ao ca­tas­tró­fico en­di­vi­da­mento ex­terno.

Re­jei­tando este ca­minho de re­cu­pe­ração do ca­pital mo­no­po­lista, dos in­te­resses dos grandes pro­pri­e­tá­rios fun­diá­rios e do im­pe­ri­a­lismo, o Par­tido com­bateu e de­nun­ciou a po­lí­tica do PS, PSD e CDS contra a pro­dução na­ci­onal, apre­sen­tando uma po­lí­tica al­ter­na­tiva à po­lí­tica de de­sastre total que está em curso.

En­tre­tanto, até De­zembro deste ano, o Par­tido lançou a cam­panha na­ci­onal «A força do povo, por um Por­tugal com fu­turo», com o ob­jec­tivo de de­bater de forma in­te­grada os eixos nu­cle­ares da po­lí­tica pa­trió­tica e de es­querda que o Par­tido apre­senta ao povo por­tu­guês.

Até ao pró­ximo do­mingo (19 de Ou­tubro), es­tará em dis­cussão a di­ver­si­fi­cação e o au­mento da pro­dução na­ci­onal, a re­cu­pe­ração para o Es­tado do sector fi­nan­ceiro e de ou­tras em­presas e sec­tores es­tra­té­gicos in­dis­pen­sá­veis ao apoio à eco­nomia, o au­mento do in­ves­ti­mento pú­blico e o fo­mento da pro­cura in­terna.


Comboio do grande capital europeu em andamento

Karl Marx e Fri­e­drich En­gels as­si­na­lavam no Ma­ni­festo Co­mu­nista, pu­bli­cado pela pri­meira vez em 1848, a di­nâ­mica ex­pan­si­o­nista e cen­tra­li­za­dora do ca­pital através da acção da sua classe, a bur­guesia. De como esse mo­vi­mento criava o es­tado-nação de que o ca­pital e a bur­guesia ne­ces­si­tavam.

«Cada vez mais a bur­guesia su­prime a dis­persão dos meios de pro­dução, dos ha­veres e da po­pu­lação. Aglo­merou a po­pu­lação, cen­tra­lizou os meios de pro­dução e con­cen­trou a pro­pri­e­dade em poucas mãos. A con­sequência ne­ces­sária deste pro­cesso foi a cen­tra­li­zação po­lí­tica. Pro­vín­cias in­de­pen­dentes ou pre­ca­ri­a­mente unidas, com in­te­resses, leis, go­vernos, e di­reitos al­fan­de­gá­rios di­versos, foram es­par­ti­lhadas (ou reu­nidas) numa nação, num go­verno, numa lei, no in­te­resse na­ci­onal de uma classe, num sis­tema adu­a­neiro», es­cre­veram.


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