Há alternativa a este rumo
Jerónimo de Sousa afirmou este fim-de-semana, em almoços-convívio nos concelhos de Avis e Vila Franca de Xira, que o PCP está em condições de assumir todas as responsabilidades, incluindo as governativas.
O PS não defende a ruptura e mudança necessárias ao País
No dia 23 em Benavila (Avis) e no dia 24 em Vialonga (Vila Franca de Xira), o Secretário-geral destacou a importância de um PCP mais forte – «para intervir, agir, assumir responsabilidades» – e mais ainda quando, ao encararmos a situação do País, vemos como os últimos três anos foram «um dos períodos mais negros da história da nossa vida democrática».
A assinatura do pacto de agressão e a intervenção da troika estrangeira justificava-se – diziam os partidos da política de direita – com a necessidade de impedir a bancarrota, de resolver o problema da dívida e do défice. Três anos volvidos, é claro para um cada vez maior número de portugueses o «embuste que foi a ajuda da troika», que não resolveu os problemas da dívida e do défice e correspondeu a um ataque brutal aos direitos, interesses, salários, reformas e pensões, afirmou o dirigente comunista.
«O quadro a traço grosso que podemos apresentar do resultado de três anos desta política de intervenção estrangeira, desta política de destruição» é o «do aumento do desemprego, de mais pobreza, mais injustiças, menos protecção social, mais impostos, mais emigração», disse Jerónimo de Sousa, que destacou o facto de hoje, em Portugal, haver «2,5 milhões de portugueses que são pobres ou em risco de pobreza» e de a troika se ter ido embora, mas não a sua política, referindo-se, nomeadamente, ao orçamento rectificativo: não se sabe que medidas o Governo vai aplicar; o que se sabe é que elas não vão incidir no capital financeiro, «mas sim em quem trabalha ou trabalhou ou em quem tem o seu pequeno negócio».
O Secretário-geral do PCP lembrou que os 78 mil milhões de euros (emprestados com juros pesadíssimos) foram aplicados na salvação da banca, dos poderosos, dos grupos financeiros, da crise do capitalismo através do aumento da exploração, através do empobrecimento, e sublinhou que «o mesmo Governo que está a procurar novos aumentos de impostos, cortar mais salários, cortar nas pensões, em relação ao BES a primeira coisa que fez, com a capa, com o biombo do Banco de Portugal, foi disponibilizar 4,4 mil milhões de euros para acudir àquele buraco, àquela situação de jogatana dos seus accionistas e responsáveis».
Referindo-se ao «caso BES», afirmou que o que está em causa não é a culpa de uma família, mas sim o sistema capitalista, a política de direita e as consequências da privatização da banca – que levam a que os portugueses sejam, de forma sistemática, confrontados «com uma nova notícia de mais uma situação desastrosa neste ou naquele banco», acrescentou.
São as consequências da política de direita, feita e exercitada, à vez, nos últimos 38 anos, pelo PS e PSD, com o sem o CDS, lembrou Jerónimo de Sousa, antes de trazer à liça o «espectáculo» actual dos dois candidatos à liderança do PS: «nós bem procuramos descobrir as diferenças entre Costa e Seguro», mas no essencial nenhum defende a necessária ruptura com a política de direita.
PCP é alternativa
Face a este caminho que conduz o País para o abismo, o PCP constitui-se como alternativa política, garantiu Jerónimo de Sousa, porque tem uma política alternativa, patriótica e de esquerda, que passa pela aplicação de três medidas fundamentais: a renegociação da dívida; o crescimento económico, a criação de mais riqueza; e a afirmação da soberania nacional, a ruptura com a política de submissão às grandes potências.
«O PCP, com a visão ampla da participação, da intervenção de outros democratas e patriotas e da luta dos trabalhadores, está em condições de assumir todas as responsabilidades, incluindo as governativas», disse o Secretário-geral, sublinhando, contudo, que não se pode pedir ao PCP que seja mais um parceiro da política de direita, «mas sim um parceiro na luta pela política patriótica e de esquerda que defenda os interesses nacionais».