EUA preparam bombardeamentos
O governo norte-americano admite a realização de ataques aéreos contra o Estado Islâmico (EI) na Síria ao arrepio das autoridades do país, confirmando que o avanço dos jihadistas serviu os interesses imperialistas na região.
«Os EUA não apenas rejeitam envolver como pretendem afrontar Damasco»
Os bombardeamentos contra posições do EI na Síria são uma possibilidade que os EUA preparam, rejeitando, no entanto, qualquer «coordenação com o regime de Bachar al-Assad», sublinhou, terça-feira, um porta-voz da Casa Branca. A Síria, por seu lado, manifesta disponibilidade para cooperar a fim de travar o avanço dos jihadistas, mas deixa muito claro que qualquer operação militar levada a cabo sem o seu consentimento será uma agressão.
Na segunda-feira, 25, Washington fez mesmo saber que Barack Obama autorizou a realização, no passado fim-de-semana, de voos de reconhecimento sobre áreas ocupadas pelo EI, que controla o terço mais oriental da Síria, dos arredores de Alepo, junto à Turquia, até à fronteira com o Iraque.
Também anteontem o New York Times noticiava que o Pentágono acompanhará os raides aéreos com o reforço do apoio aos grupos armados «moderados» que se opõem a Damasco, facto que, a concretizar-se, confirma que eventuais ataques contra o EI são um trampolim para lançar uma campanha militar visando a Síria, país que os EUA há muito pretendem agredir e que justamente em Agosto do ano passado esteve prestes a ser bombardeado. O pretexto de então foi o massacre químico na localidade de Gouta, cuja responsabilidade foi assacada às forças armadas sírias mas que, mais tarde, fontes insuspeitas de simpatias para com Al-Assad atribuíram aos «rebeldes» financiados pelos EUA e pelas monarquias vassalas do Golfo.
A administração norte-americana não apenas rejeita envolver Damasco como pretende afrontar directamente um governo que há cerca de três anos e meio não dá tréguas a jihadistas de todos os matizes, e que na terça-feira, 26, voltou a fustigar posições do EI na província de Deir Ezzor, e prosseguiu o combate pela região de Raqa, covil operacional dos terroristas.
A hipótese de ataques aéreos norte-americanos contra território sírio, a pretexto da presença do EI, ganhou força nos últimos dias. Aproveitando a alegada execução do jornalista norte-americano James Foley (que terá sido decapitado por um jihadista britânico que, como cerca de dois mil «ocidentais» se foram juntando ao EI sem que os países de origem parecessem preocupar-se muito), multiplicaram-se as declarações de altos responsáveis imperialistas (o chefe do Estado Maior dos EUA, um ex-chefe da CIA, o responsável pelo comité de Defesa e Segurança do Senado norte-americano ou o inefável ministro dos Negócios Estrangeiros francês, sempre o primeiro a fazer eco dos argumentos de Washington), todas assegurando que o «califado» só pode ser derrotado na Síria e Iraque ao mesmo tempo, e considerando que o EI é a mais séria ameaça global da actualidade.