Agressão israelita à Palestina

Liquidação total

Israel reitera que os bombardeamentos contra a Faixa de Gaza vão continuar, confirmando que o propósito da ofensiva, retomada em força há cerca de uma semana, é a liquidação e expulsão dos palestinianos do território.

«O imperialismo é o principal sustentáculo da vaga criminosa»

LUSA

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Ao fim de 50 dias de intensos bombardeamentos a partir de terra, mar e ar, acompanhados por uma invasão terrestre e intercalados por breves períodos de cessar-fogo, o balanço das vítimas palestinianas superava as 13 mil. Mortos contabilizavam-se anteontem 2138 e os feridos rondavam os onze mil, a esmagadora maioria civis (cerca de 80 por cento) e um quarto dos quais crianças, indicam os dados divulgados pelas Nações Unidas, pelas autoridades sanitárias da Faixa de Gaza e por organizações humanitárias, estruturas que alertam, igualmente, para o elevado número de estropiados, incapacitados (mais de três mil menores de idade) e de órfãos, para as dezenas de milhares de habitações arrasadas ou muito danificadas (55 mil) e o crescente número de famílias sem tecto, e para a destruição total ou parcial de 250 centros médicos e escolas.

Durante nove dias, cessaram os ataques israelitas e a resposta palestiniana com o lançamento de roquetes (que pela primeira vez vitimaram uma criança israelita), mas desde o passado dia 19 de Agosto a campanha sionista foi retomada em força visando edifícios residenciais e dirigentes políticos e militares do Hamas – o líder do braço armado do movimento escapou a uma nova tentativa de assassinato, a quinta desde que assumiu a chefia das brigadas al-Qassam, em 2002, mas a mesma sorte não tiveram outros comandantes da resistência islâmica.

Israel e os EUA acusam o Hamas de ter violado a trégua provisória. O movimento nega responsabilidades no reinício das hostilidades suspensas desde dia 11 e revela que, justamente no dia 19, os representantes de Telavive abandonaram as negociações indirectas com as autoridades palestinianas, que decorriam no Cairo, sem darem qualquer resposta ao prolongamento do cessar-fogo.

Imperialismo responsável

A proposta palestiniana mantém-se e inclui não apenas o fim da actual guerra mas também o levantamento do bloqueio à Faixa de Gaza, confirmaram responsáveis palestinianos. Israel rejeita tal cenário e o primeiro-ministro reiterou, domingo, 24, que as operações militares vão prosseguir «até que seja atingido o seu objectivo», o que «pode levar algum tempo». Benjamin Netanyahu não se importa sequer com a opinião de um crescente número de israelitas. No sábado, 16, cerca de dez mil pessoas, de acordo com o Partido Comunista de Israel, manifestaram-se em Telavive contra a barbárie.

O Guardian noticiou, entretanto, que uma das divergências para a concretização de uma trégua mais duradoura é a hipotética apresentação, por parte da Palestina, de uma queixa contra Israel no Tribunal Penal Internacional. A possível investigação dos crimes de guerra motiva fortes pressões dos EUA e doutras potências ocidentais, adianta ainda o jornal britânico, que cita ex-magistrados da instância sediada em Haia, nos Países Baixos.

Para além da matança indiscriminada da população palestiniana ou do bombardeamento de infra-estruturas civis e de assistência humanitária, Israel tem sido denunciado pelo uso de armamento proibido. Se nas agressões de 2008/09 e 2012, o governo de Telavive foi acusado de usar urânio empobrecido e fósforo branco, na actual ofensiva sobejam as provas do uso de bombas de fragmentação, contendo volfrâmio e de outro tipo de munições não-convencionais, as quais o médico norueguês Erik Fosse, presente em Gaza e com larga experiência em cenários de guerra, assegura nunca ter visto.

O imperialismo é, aliás, o principal sustentáculo da vaga criminosa e do castigo colectivo imposto pelo sionismo. Por estes dias, soube-se que a Alemanha concretizou a venda de mais um submarino nuclear a Israel (já são quatro) e apurou-se que sem os três mil milhões de ajuda financeira anual norte-americana (100 mil milhões desde 1962), Israel não teria meios para suportar a actual barbárie, orçada, segundo fontes oficiais, em 60 milhões de dólares.

Também recentemente, um documento divulgado no portal Wikileaks atestou que a liquidação e expulsão dos palestinianos em curso é deliberada e foi testada anteriormente. No texto, enviado em 2008 por Telavive ao Conselho Nacional de Segurança e aos secretários da Defesa e de Estado dos EUA, dá-se conta da doutrina militar aplicada na segunda guerra do Líbano (2006) e conclui-se que a execução e expulsão de populares e a destruição de todas as infra-estruturas e edifícios do bairro de Dahiya, em Beirute, é para aplicar no futuro.



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