Conflito internacionalizado
Egipto e Emirados Árabes Unidos realizaram raides aéreos na Líbia, noticiou, segunda-feira, 25, o New York Times. Os dois ataques levados a cabo terça-feira, 19, e sábado, 23, terão visado infra-estruturas e equipamentos de grupos armados, revelou o diário, que cita informações obtidas junto de uma fonte militar norte-americana e adianta, ainda, que esta não é a primeira vez que ambos os países atacam alvos jihadistas na Líbia, tendo realizado pelo menos uma outra operação conjunta de destruição de um campo de treino militar no Leste do país.
A denúncia dos bombardeamentos ocorreu um dia depois de as autoridades egípcias terem negado a sua ingerência nos combates pelo controlo do aeroporto internacional de Tripoli, que desde meados de Julho é disputado entre as milícias de Zintan, a Oeste da capital, e Misrata, situada a Este. Esta última confirmou domingo, 24, à EFE, ter tomado de assalto a plataforma ao fim de dez dias de duros combates, os quais têm sido igualmente intensos na segunda cidade do território, Bengasi, parcialmente tomada, nas últimas semanas, pelas forças leais ao general Khalida Haftar.
A intervenção confirma a crescente internacionalização do conflito. Na segunda-feira, os governos dos EUA, Grã-Bretanha, Alemanha, França, Itália (envolvidos directa ou indirectamente na agressão militar que derrubou o regime liderado por Muamar Kahdafi, em 2011, e da qual resulta a actual fragmentação do país), emitiram um comunicado conjunto condenando cinicamente a escalada da violência. No mesmo dia, os responsáveis das relações externas da Líbia e dos estados vizinhos – Egipto, Argélia, Tunísia, Sudão, Chade e Níger – anunciaram que se reuniam no Cairo para discutir a situação.
Na sexta-feira, 22, o ministro dos Negócios Estrangeiros da Argélia defendeu que não existe solução militar para a guerra na Líbia e que os países fronteiriços devem insistir na procura de uma saída negociada entre as facções rivais. Dias antes, também a Liga Árabe se manifestou contra uma intervenção estrangeira no país.
Entretanto, na Líbia funcionam dois «parlamentos», ambos reclamando legitimidade política. Em Tubruk, foi nomeado, segunda-feira, 25, um novo chefe do Estado-Maior para substituir Abdulati Obeidi, que considerou que as forças armadas não têm capacidade para derrotar as milícias. Em Tripoli, o Conselho Geral Nacional encarregou uma figura pretensamente pró-islamita de formar um governo de Salvação Nacional e acusou a assembleia de Tubruk de traição, aludindo ao apelo para que as Nações Unidas aprovem o envio de uma missão internacional.