Concretizar a paz
Governo moçambicano e Renamo assinaram, domingo, 24, em Maputo, um entendimento para o fim dos confrontos entre as forças armadas de Moçambique e os milicianos do partido opositor, que no último ano e meio provocaram dezenas de mortos e feridos na província de Sofala em diversos ataques na principal estrada de ligação entre o Sul e o centro do país.
O acordo foi subscrito por representantes das autoridades de Maputo e do movimento, isto depois de o líder da Renamo ter recusado reunir-se ao mais alto nível com o Presidente da República, Armando Guebuza.
Afonso Dhlakama garantiu, entretanto, o respeito pelo cessar-fogo e assegurou o compromisso do seu contingente paramilitar em todo o território nacional. Na comunicação efectuada a partir da Serra da Gorongosa, onde se terá refugiado após o reinício da violência, Dhlakama expressou ainda vontade em encontrar-se com Guebuza mas não propôs qualquer data ou local, deixando a dúvida se a reunião, a ocorrer, se efectuará na capital ou na cidade da Beira. O chefe da Renamo também pediu que o texto seja aprovado pela Assembleia Nacional, mas representantes do parlamento reagiram qualificando a exigência de «manobra dilatória».
A Frelimo, por seu lado, saudou o executivo de Maputo e a Renamo pela assinatura do acordo considerando que o acto «reforça a autoestima, a consolidação da paz e do Estado de Direito», abrindo a possibilidade de o povo de Moçambique resolver as respectivas diferenças em paz, empenhar-se no desenvolvimento do país e no combate à pobreza.
Moçambique realiza eleições gerais (presidenciais, legislativas e regionais) no próximo dia 15 de Outubro.