Trabalhar e estudar
As despesas obrigatórias de um estudante universitário em França aumentaram quatro vezes acima da inflação, segundo um estudo da União Nacional de Estudantes (Unef).
30% dos estudantes trabalham a tempo inteiro
De acordo com a Unef, o aumento das propinas, do preço das refeições, da habitação, entre outras despesas obrigatórias para os estudantes universitários, representa um agravamento dos custos superior a dois por cento, em relação ao ano lectivo anterior.
Num estudo publicado, dia 17, no Journal du Dimanche, a maior organização de estudantes de França revela que um estudante gasta em média 799 euros mensalmente, valor que é cada vez mais difícil de suportar pelas famílias.
A despesa média dos estudantes representa agora 48 por cento do salário mediano, contra 43 por cento em 2011.
O alojamento é o maior encargo, absorvendo em média 53 por cento do orçamento. Todavia, o aluguer de pequenos espaços sofreu um aumento de 3,5 por cento em Paris e cerca de dois por cento fora da capital.
Face ao aumento constante das despesas e ao congelamento das bolsas de estudo, quase um terço (29,6%) dos jovens universitários são forçados a trabalhar a tempo inteiro, contra um quinto (18,6%) em 2006. Muitos outros trabalham a tempo parcial,
Interrogados sobre os motivos, 51,3 por cento responderam que o emprego é «indispensável para viver». Em 2011, esta resposta foi dada por 40 por cento dos inquiridos.
A União Nacional dos Estudantes de França veio assim exigir a actualização das bolsas de acordo com a carestia de vida e o aumento de 50 euros por mês da bolsa de estudo para o montante máximo de 550 euros, equiparando-o ao RSA (rendimento de solidariedade activa), prestação social mínima em França.
A publicação do estudo obrigou o governo a vir a público, no mesmo dia, prometer uma revalorização do conjunto das bolsas na ordem dos 0,7 por cento, ligeiramente acima da inflação (0,5%), mas muito abaixo das exigências estudantis.
O Ministério da Educação assegurou que irá reforçar as bolsas de estudo nos próximos três anos, assim como lembrou que estão a ser construídos 40 mil alojamentos estudantis que ficarão prontos na legislatura, comprometendo-se ainda a limitar o aumento das propinas.