Enfermeiros, exaustos e em greve
A carência de meios humanos e a degradação das condições de trabalho conduzem os enfermeiros ao cansaço extremo e põem em causa a segurança e a qualidade dos cuidados de saúde.
Enfermeiros chegam a trabalhar 12 e 18 horas seguidas
LUSA
As direcções regionais do Minho e do Porto do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) convocaram greves pela defesa do Serviço Nacional de Saúde, a contratação de mais enfermeiros e a criação de condições de trabalho que não conduzam estes profissionais à exaustão – porque, ao contrário do que diz o ministro da Saúde, «”fazer mais com menos” destrói vidas», afirmam num documento que divulgaram.
No caso do IPO do Porto, está em causa a «brutal carência de enfermeiros», a obrigatoriedade de estes profissionais fazerem horas extraordinárias e a impossibilidade de gozarem os dois dias de folga que a Lei impõe. Face a esta degradação das condições de trabalho, «com consequências efectivas e potenciais para os próprios e para os doentes», no dia 5, os enfermeiros fizeram greve, com uma adesão de 100 por cento no serviço de internamento – revelou o SEP –, e realizaram uma concentração frente às instalações hospitalares.
No Centro Hospitalar do Alto Ave, que engloba os hospitais de Guimarães e Fafe, o SEP convocou uma greve entre as 8h00 de dia 5 e as 24h00 de dia 7, para denunciar a situação de exaustão, de exploração e discriminação salarial que afecta os enfermeiros, que têm milhares de horas de descanso por gozar, horários sem folgas e uma sobrecarga de trabalho acentuada. Os primeiros dados avançados pelo SEP, relativos à greve no dia 5, apontaram para uma adesão a rondar os 70 por cento e mais de 20 cirurgias canceladas.
No Algarve
Numa conferência de imprensa conjunta realizada, dia 4, em Faro, o SEP, o Sindicato dos Médicos da Zona Sul, o Sindicato da Função Pública do Sul e Açores e a União dos Sindicatos do Algarve (CGTP-IN) anunciaram que, em face da degradação das condições de trabalho dos funcionários e da manifesta falta de recursos humanos e materiais que se verifica no Centro Hospitalar do Algarve, vão avançar com uma proposta de greve em plenários a realizar com os trabalhadores nos hospitais de Faro (dia 8), de Lagos e Portimão (dia 11).