Negócio ruinoso
Trabalhadores e utentes da STCP e da Metro do Porto consideram que a entrega das empresas a privados é lesiva para o Estado e a população. O PCP solidariza-se com a luta e esteve, anteontem, numa acção de esclarecimento promovida pela CT dos STCP.
«A privatização agrava todos os problemas, não resolve nenhum»
Para a Comissão de Trabalhadores (CT), a concessão da Sociedade de Transportes Colectivos do Porto (STCP) é um «negócio ruinoso» que só traz desvantagens para os utentes dos transportes públicos. Foi precisamente para isso que alertaram, terça-feira, 22, num contacto com a população, realizado na Estação de Metro da Trindade.
«Desde há vários anos que os utentes da STCP têm vindo a perder na qualidade do serviço prestado», apesar de pagarem «bilhetes e passes mais caros» e de os contribuintes suportarem «cada vez mais impostos», num caminho «deliberadamente escolhido por sucessivos governos» que levou à «quebra de passageiros» e ao «endividamento das empresas públicas», nota-se no documento distribuído pela CT dos STCP, para quem a privatização agrava todos os problemas, não resolve nenhum.
A CT denunciou ainda os falsos argumentos do Governo para justificar a entrega das empresas e garantiu que «trabalhadores e utentes estão juntos na defesa dos seus interesses», luta para a qual têm a solidariedade do PCP, que fez questão de estar presente na iniciativa de anteontem, enviando uma delegação composta por Jaime Toga, da Comissão Política do Comité Central, Jorge Machado, deputado à Assembleia da República, e Pedro Carvalho, vereador da CDU na Câmara Municipal do Porto.
À margem
A CT da STCP contesta igualmente o facto de os trabalhadores e os seus representantes terem sido deixados «à margem» da «reestruturação», algo que, sublinha, não cumpre a lei. Por diversas vezes a tutela foi interpelada para que prestasse esclarecimentos, mas nunca forneceu qualquer informação, explicou à Lusa, quinta-feira, 17, o coordenador da CT da STCP, Pedro Silva.
Idêntica queixa fez, no mesmo dia, a CT da Metro do Porto, que garante que «ninguém se dignou a comunicar o que se está a passar» e lamentou que os trabalhadores tenham sido totalmente ignorados, subsistindo dúvidas sobre se haverá despedimentos ou alterações aos vínculos laborais, disse Nuno Ortigão à agência de notícias portuguesa.
O Conselho de Ministros aprovou de surpresa, faz hoje uma semana, a concessão das empresas de transportes colectivos do Porto, processo que também merece a oposição do Movimento dos Utentes dos Transportes da Área Metropolitana do Porto, que teme a supressão de carreiras, os aumentos de preços e a degradação dos serviços.