Reforçar o Partido na cidade do Porto

Determinação na luta por outro rumo

A 10.ª Assembleia da Organização da Cidade do Porto do PCP avaliou a situação política, o agravamento da exploração na cidade e no País, e vincou a necessidade de reforço do Partido.

É fundamental garantir as condições à actividade do Partido

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O auditório da Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto recebeu, no dia 28 de Junho, a 10.ª Assembleia da Organização da Cidade do Porto do PCP, acontecimento que espelhou no seu decorrer, além da sua enorme importância intrínseca, uma profunda ligação ao concelho e aos problemas e aspirações do seu povo, como se pôde verificar nas várias dezenas de intervenções proferidas. Desde os problemas absolutamente incontornáveis da habitação na cidade, passando pela sua desertificação, envelhecimento e empobrecimento da população, até aos problemas dos trabalhadores, das mulheres, dos estudantes, muitas foram as questões levantadas pelos militantes do PCP no Porto – quase centena e meia de delegados de diversas freguesias, células de empresa e outras organizações –, que enriqueceram a assembleia, precedida, como é apanágio no Partido, por um extenso período de discussão e preparação. 
Belmiro Magalhães, dirigente da organização, aludiu na intervenção de abertura aos enormes problemas vividos no Porto, que, na ausência de resposta, se têm vindo a agravar com a prossecução da política de direita – no concelho e no País. O dirigente comunista acusou o actual Executivo, apoiado pelo PS, «que deixou, mais uma vez, cair a máscara», de dar «continuidade à austeridade de Rui Rio e da anterior coligação PSD/CDS», atitude bem explícita no Orçamento Municipal para 2014 e em muitos outros casos apontados. Também Pedro Carvalho, vereador da CDU eleito no Porto, deu grande ênfase a esta continuidade política, lembrando que durante a campanha eleitoral «a CDU foi alertando para as ilusões geradas em torno da candidatura da lista de Rui Moreira/CDS-PP», que, depois de eleita, «procurou gerar a percepção mediática de início de um novo ciclo na gestão municipal». Contudo, aquilo que realmente fez foi quebrar «promessas eleitorais e, nas políticas essenciais, dar continuidade à coligação PSD/CDS-PP liderada por Rui Rio». Esta continuidade conta agora com o auxílio do PS, o que levou o vereador comunista a afirmar «que o PS dá sempre cobertura à implementação da política de direita, quer a nível local, quer a nível nacional».
A par da situação política do Porto, também estiveram em destaque na assembleia as questões relacionadas com a organização do Partido. A necessidade de garantir as condições para a imprescindível actividade política, ao nível dos fundos, do recrutamento de novos militantes e da sua responsabilização, foi uma das preocupações abordadas, assim como a passagem de responsabilidades a militantes mais jovens, que ficou bem patente na intervenção do militante com tarefas de fundos na freguesia de Aldoar, Álvaro «Fragata», de oitenta anos, muito aplaudido quando se referiu aos passos já tomados para garantir o futuro das tarefas na organização a que pertence. Várias referências foram também feitas às potencialidades de alargar o recrutamento, nomeadamente entre os mais jovens, considerando-se que o crescimento eleitoral no concelho nas últimas eleições para o Parlamento Europeu dá boas indicações.
No decorrer da assembleia, foi aprovada uma nova direcção, com uma renovação de 30 por cento dos seus membros – que apresentam uma média etária mais baixa em dois anos do que a da direcção cessante – e o projecto de Resolução Política que guiará a actividade do PCP na região.
Na intervenção de encerramento, Jaime Toga, responsável da Organização Regional do Porto e membro da Comissão Política do Comité Central do PCP, valorizou muito o decorrer dos trabalhos e o seu conteúdo, considerando que a grave situação no Porto, bem reflectida no decorrer da assembleia, «é o espelho do País», marcado pelo «agravamento da exploração e do empobrecimento, a falsificação da realidade e dos dados económicos, a mentira e o roubo dos direitos e salários». São os «traços marcantes da política seguida por PSD e CDS, e que contou com o PS em tudo que é estruturante», afirmou o dirigente comunista, que deu como exemplo a assinatura do pacto de agressão com a troika estrangeira, que contou com a assinatura daqueles três partidos.
Na sua intervenção, Jaime Toga deu grande ênfase ao papel de todos os militantes, independentemente das suas tarefas, no reforço do Partido e da sua independência financeira, como factor crucial para um novo rumo para o País, pois, apesar das «insuficiências e dificuldades», considerou existirem «enormes potencialidades» aliadas à «convicção da justeza do ideal e à enorme generosidade do colectivo partidário» do PCP.
Pelos mais de duzentos militantes e amigos do PCP presentes na assembleia, entre convidados e delegados, perpassou visivelmente a convicção colectiva da manutenção da luta e da resistência abnegada a todas as adversidades para, em profunda ligação às massas, aos seus problemas e aspirações, construir uma cidade do Porto e um País mais justos.




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