A grande farsa

Vasco Cardoso

Corre por aí que se aproximam as «eleições para primeiro-ministro». Uma espécie de eleições que nunca tiveram lugar no Portugal democrático, que não constam da Constituição nem de nenhuma das leis ordinárias, mas que «todos» asseguram que se vão realizar em breve.

Particularmente empenhado nessa grande farsa está o PS cuja disputa interna é parte integrante de uma operação bem mais profunda que visa assegurar e dar força à continuação da política de direita em Portugal. Para tornar mais credível a farsa, assumem que vão ter «primárias» para escolher o «candidato a primeiro-ministro» e concentram o debate na escolha do «perfil» de dois dos mais responsáveis dirigentes do PS nos últimos anos – Seguro e Costa –, e desta forma não só branqueiam as suas responsabilidades passadas, como ocultam as intenções quanto ao futuro que querem para os trabalhadores, o povo e o País.

As razões da promoção desta grande farsa que o PCP sempre combateu encontram-se na recorrente tentativa de, em vésperas de eleições, criar um ambiente que favoreça a concentração de votos no PS e no PSD e dar continuidade ao rumo de desastre nacional que tem vindo a ser imposto ao País. Não admira portanto que os principais órgãos de comunicação social (e o batalhão de comentadores ao seu serviço) se dediquem a fabricar essa ideia em doses massivas. Um rolo compressor que procura enganar uma vez mais as populações, ocultando-lhes premeditadamente que em eleições legislativas se elegem deputados e se escolhe a composição da futura Assembleia da República. Complicado? Nem por isso. Mas esta não inocente deturpação do funcionamento das instituições democráticas serve que nem uma luva ao tal «consenso» promovido por Cavaco que, com PS, PSD e CDS, há 38 anos que desgoverna o País e que tão valiosos serviços tem prestado ao grande capital.

Esta grande farsa que está em curso vai requerer, ao mesmo tempo que se intensifica a luta pela ruptura com a política de direita e pela demissão deste Governo (exigência que o PS cedo abandonou), um amplo esclarecimento junto dos que só têm a ganhar se compreenderem que não há futuro se o seu apoio, o seu empenho e o seu voto continuar a ser entregue aos que não têm feito outra coisa senão enganar, explorar e empobrecer o povo.




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