Suécia em risco de deflação
O Banco Central da Suécia baixou, dia 3, a taxa de juro de referência para o mínimo histórico de 0,25 por cento, apenas aplicado em 2009, após o rebentamento da bolha financeira.
A instituição justifica a medida com os riscos de deflação que ameaçam a economia deste país nórdico. Aliás, a possibilidade de deflação é admitida por um recente estudo do instituto britânico Capital Economics, citado, dia 5, pelo jornal francês Le Figaro.
O estudo, intitulado «Será a Suécia o Japão do Norte?», salienta que nos últimos meses a inflação tem sido inferior a 0,1 por cento. Este fenómeno não resulta apenas da valorização da moeda nacional, a coroa, e da estabilização dos preços mundiais da energia e matérias-primas. Também nos serviços a taxa de inflação está próxima do zero.
A estagnação dos preços ou mesmo a sua queda traduz o declínio da procura interna, que tem sido o motor do crescimento da economia nos últimos dois anos, compensando o abrandamento das exportações.
Mas o aumento do consumo interno conduziu ao sobre-endividamento das famílias suecas, que atinge os 170 por cento do rendimento disponível. O peso desta dívida reflecte-se agora numa diminuição do poder de compra.
Por isso, os peritos consideram que a redução da taxa de juro poderá não ter reflexos significativos ao nível do consumo.
Apesar destes sintomas, a Suécia mantém indicadores superiores à maioria dos países europeus. Em 2013, a taxa de crescimento situou-se em 1,6 por cento, podendo alcançar este ano os 2,2 por cento.
As autoridades admitem reduzir a carga fiscal para aumentar o rendimento real da população e esperam que a animação da actividade empresarial venha a criar mais empregos.