Privatização da EGF

Perdem o País e as pessoas

A maioria PSD/CDS-PP chumbou sexta-feira passada, 9, o diploma do PCP que pedia a cessação de vigência do decreto-lei que aprovou o processo de reprivatização da Empresa Geral de Fomento (EGF).

Privatização da EGF insere-se na linha de desmantelamento dos serviços públicos

Vários foram os motivos que levaram o PCP a trazer para primeiro plano a privatização desta empresa exclusivamente pública, orientada para o tratamento e gestão dos resíduos sólidos urbanos e parceira das autarquias nos sistemas multi-municipais.

O que o Governo PSD/CDS-PP faz com este processo, desde logo, é seguir a estratégia iniciada pelo seu antecessor (PS de Sócrates) com vista à privatização do Grupo Águas de Portugal. Privatizar a EGF é assim uma «peça da privatização desse grupo», inserindo-se na linha de «desmantelamento dos serviços públicos que o Governo pretende impor às populações», como sumariou no debate realizado no passado dia 2 o deputado comunista Miguel Tiago.

Daí que para a bancada comunista, independentemente deste desfecho legislativo, continue a ser da máxima importância travar este processo, não apenas porque a privatização é uma ameaça aos direitos dos trabalhadores, mas também porque configura uma traição às autarquias que decidiram constituir empresas e sistemas confiando que estes seriam inteiramente públicos e tutelados pelo Governo. A estas duas razões acresce, por outro lado, a inevitável degradação da qualidade do serviço prestado, o aumento das tarifas, e o agravamento da exploração do trabalho.

Miguel Tiago chamou igualmente a atenção para o facto de este ser também um «mau negócio» para o Estado, uma vez que a EGF tem apresentado resultados positivos ao longo dos anos, os quais têm sido direccionados para o investimento nos sistemas e melhoria gradual da sua qualidade.

A privatização da EGF representa, por último, na perspectiva do PCP, uma degradação do papel do Estado nas políticas do ambiente e de saúde pública, correspondendo, ainda, ao «abandono de uma visão estratégica num sector que é fundamental para a concepção e prática de várias políticas, desde a política do ordenamento até à política do ambiente».

 

Privados a ganhar

A exemplo do que tem acontecido com todas as outras, a privatização da EGF integra o processo em curso de reconfiguração do Estado e de destruição dos serviços públicos, não havendo um único motivo relacionado com o interesse público, o País ou as pessoas que a justifique. «O único beneficiário é o privado que compra a empresa», verberou Miguel Tiago, que deixou essa ideia bem patente no debate.

Os partidos da maioria e o ministro do Ambiente procuraram entretanto contestar os argumentos do PCP com base na ideia de que subjacente aos mesmos estaria apenas um fundamento «ideológico» e uma visão «preconceituosa» sobre a privatização da EGF.

«É curioso que a defesa do serviço público em favor das populações e não de um grupo privado seja vista como coisa ideológica e preconceituosa e que a defesa do privado já o não seja», contrapôs o deputado do PCP, que não deixou de realçar a circunstância de não ter sido aduzido pelo ministro ou pelos partidos da maioria qualquer elemento – um único que fosse – relacionado com a defesa do interesse público ou uma justificação – uma que fosse – para a privatização desta empresa.

 



Mais artigos de: Assembleia da República

Ver o País com os olhos<br> dos banqueiros

Passos Coelho foi ao Parlamento vangloriar-se da acção do Governo e da «saída limpa» do chamado programa de assistência. Um mero «balanço de contabilidade», assim o definiu Jerónimo de Sousa, para quem o Governo continua a ter um problema insolúvel de desfasamento com a realidade.

Reduzir salários e liquidar direitos

Destruir a contratação colectiva e reduzir os salários no sector privado, eis o sentido da anunciada nova mexida no Código do Trabalho. Para o PCP, trata-se de um novo golpe sobre os trabalhadores – e por isso só pode merecer rejeição e repúdio.

Mais barreiras no acesso à Justiça

Encontram-se em comissão as propostas do PCP de alteração ao novo mapa judiciário estabelecido pelo Governo. Estas propostas foram entregues no passado dia 2, data em que aquele decreto-lei sobre a organização do sistema judiciário foi sujeito a...

Amarras da subjugação

A maioria PSD/CDS-PP, e também o PS, rejeitaram dia 9 o projecto de lei do PCP que introduzia alterações à Lei de Enquadramento Orçamental (legislação que transpôs há um ano para a ordem jurídica interna o Tratado Orçamental imposto pelo eixo...

Esconder o desemprego

A taxa de desemprego em Portugal foi de 15,1% no primeiro trimestre, 2,4 pontos percentuais abaixo do mesmo período de 2013 e menos 0,2 pontos percentuais do que no trimestre anterior, divulgou sexta-feira passada, 9, o Instituto Nacional de Estatística (INE). Comentando estas estimativas, a deputada...