Futuro para a EMEF
Centenas de trabalhadores da Empresa de Manutenção de Equipamento Ferroviário afirmaram nas ruas de Lisboa que rejeitam a política de destruição do sector produtivo e de ataque ao emprego e aos direitos sociais.
Na EMEF muito poderia ser bem feito com outra política
No dia 3, quinta-feira, a meio da manhã, começou por efectuar-se um plenário na estação de Santa Apolónia, que aprovou uma resolução com os motivos da luta. Em manifestação, os cerca de 500 trabalhadores mobilizados pelo sindicato da Fectrans/CGTP-IN foram de seguida entregar o documento no Ministério das Finanças, na sede (comum) da EMEF e do Grupo CP e no Ministério da Economia, reclamando «Parem de nos roubar», «EMEF nacional faz falta a Portugal» e «Está na hora de o Governo se ir embora», entre outras mensagens gritadas e exibidas em cartazes e faixas.
«Este foi mais um protesto contra o roubo nos salários e pensões, pelo cumprimento do Acordo de Empresa e respeito pelos direitos dos trabalhadores, contra a discriminação entre gerações e pela defesa da EMEF, como empresa estratégica para o caminho-de-ferro e inserida numa lógica do aumento da produção nacional», sintetizou a federação, ao dar notícia desta jornada.
Na resolução, os ferroviários «manifestam a sua firme determinação de combater os roubos de que estão a ser vítimas, e de intensificar a luta, face ao anúncio do Governo de que pretende transformar em definitivos os roubos que antes, falsamente, afirmara serem provisórios».
Igualmente «manifestam a sua firme determinação de continuar a defesa, valorização e fomento do aparelho produtivo nacional, e de tudo fazer para que se reconheça o papel destacado que a EMEF representa para Portugal, e as potencialidades que tem de realizar mais trabalho e criar mais riqueza».
Reafirmam que «o futuro de Portugal só se constrói contra a actual política de rapina dos trabalhadores e do povo» e repudiam a «intensificação do processo de pulverização do sector ferroviário nacional» – que se materializa em privatizações de linhas, na destruição da REFER por via da anunciada fusão com a Estradas de Portugal, na retirada dos terminais da CP Carga, entre outras medidas. Tudo isto é feito «às custas da segurança e fiabilidade da ferrovia» e «ao serviço das grandes multinacionais europeias».
Estes motivos levaram à realização de um grande protesto nacional, no dia 11 de Março, no Entroncamento. Uma nova acção ficou agora agendada para dia 16, quarta-feira.
Paradigmático!
O Grupo Parlamentar do PCP satisfez o pedido de reunião das organizações representativas e entregou, no dia 1, uma pergunta ao Governo. Começa por referir «alguns exemplos paradigmáticos de como se pode e deve fazer diferente», citando informações deixadas pela Comissão de Trabalhadores da EMEF e pelo Sindicato Nacional dos Trabalhadores do Sector Ferroviário sobre «a importação crescente de um conjunto de serviços que poderiam facilmente ser realizados em Portugal e na EMEF»:
– automotoras alugadas à espanhola Renfe há três anos, recusando alternativas de requalificação de material circulante existente em Portugal;
– perda, para Espanha, da manutenção do material circulante da Refer;
– reparações realizadas em Espanha pela Fertagus, quando a EMEF poderia perfeitamente realizar tais serviços;
– e a admissão, pela CP, de vir a fazer em Espanha grandes reparações dos comboios Alfa pendulares.
Na pergunta, são ainda referidas preocupações com «orientações economicistas emanadas do Governo», que levam à alteração de planos de manutenção preventiva e de ciclos de manutenção. Além dos problemas criados à actividade da EMEF, isto degrada as condições de segurança e fiabilidade da circulação ferroviária e poderá ter custos acrescidos a médio e longo prazo.
A CT e o SNTSF criticaram a falta de um plano para a participação activa da EMEF na renovação do material circulante (caminho-de-ferro e metropolitano) no País, sendo esta a única empresa portuguesa que pode realizar uma significativa incorporação nacional na construção de material circulante.
Por fim, os representantes dos trabalhadores transmitiram a sua preocupação sobre a «joint-venture» com a multinacional Nomad, negócio que levou a EMEF a abdicar da sua importante e reconhecida unidade de investigação e desenvolvimento.