Violação sexual
O Parlamento aprovou recentemente um diploma que dispensa de queixa a violação, transformando-a em crime público, assumindo que a ausência de consentimento da relação sexual é um acto de violência.
Este projecto de lei que «altera a previsão legal dos crimes de violação e coação sexual no código penal» é da autoria do BE e foi aprovado com os votos favoráveis dos seus deputados e do PEV e a abstenção dos restantes partidos.
Embora encarando as soluções preconizadas no articulado do diploma como um «ponto de partida» para a discussão na especialidade, Rita Rato não deixou de expressar reservas quanto à adequação das mesmas para a «resolução dos problemas identificados».
A exigir melhor reflexão, a «bem da produção de prova», está, por exemplo, a questão dos conceitos de consentimento ou de não consentimento. O mesmo, segundo a deputada do PCP, quanto à «transformação deste crime de violação sexual em crime público». Isto porque, lembrou, há riscos de «dupla vitimação das mulheres» que, depois de «sujeitas à violência de uma violação sexual», ainda sofrem a exposição de um processo crime que «corre sem consideração da sua vontade» e em que expõe as circunstâncias a que foram submetidas.
Rita Rato citou recentes dados de um inquérito europeu que apontam para que «quase um quarto das mulheres portuguesas já foi vítima de violência física ou sexual infligida pelos respectivos parceiros» e que «10% das portuguesas experienciou violência física perpetrada por um não parceiro».