10.º Congresso da JCP arranca no sábado

«Avante com Abril!»

A JCP realiza o seu 10.º Congresso no próximo fim-de-semana, dias 5 e 6 de Abril, na Faculdade de Medicina Dentária, em Lisboa, sob o lema «Avante com Abril! Organizar, Lutar, Transformar!». Em declarações ao Avante!, Cátia Lapeiro, Gonçalo Salvaterra e Catarina Moreira falam do caminho percorrido e perspectivam o futuro da organização revolucionária da juventude portuguesa.

Cada vez mais jovens percebem o valor das conquistas do 25 de Abril

A «reunião magna» dos jovens comunistas conta com cerca de 600 delegados, sem contar com os convidados, esperados em grande número, e com as organizações portuguesas e nacionais com quem a JCP mantém relações.
Entretanto, para além das tarefas mais políticas, tiveram que ser resolvidas «questões mais práticas», habituais num «Congresso de grandes dimensões, em que são esperadas muitas centenas de jovens de todo o País».
«Os alojamentos para delegados e convidados serão na “A Voz do Operário” e no Liceu Camões, e as refeições para os dois dias terão lugar, ao almoço, na Cidade Universitária e, ao jantar, na “A Voz do Operário”. Depois há a concepção da implantação do espaço e a decoração – de forma a dar expressão à afirmação da JCP, do Congresso e dos seus principais objectivos – e a questão dos transportes para trazer os jovens para Lisboa», refere Cátia Lapeiro, da Direcção Nacional da JCP.
Estão ainda previstas iniciativas de animação dentro e fora do Congresso. Para além dos Tocá Rufar, projecto modelo de formação artística e cultural para afirmar e promover a percussão tradicional portuguesa e o instrumento bombo, à noite, no sábado, tem lugar um concerto, no Largo Camões, com os Dazkarieh, antecedido de um grande desfile de afirmação da JCP, com partida da «A Voz do Operário».
«O Largo Camões concentra à noite muitos jovens de Lisboa e dos arredores da cidade. Para além de querermos divertir todas as pessoas que participam no Congresso, será também interessante dar a conhecer o espírito da JCP», salienta Gonçalo Costa, sem esquecer a «componente política, seja no próprio palco, com palavras de ordem, seja através de uma intervenção antes do concerto».

Problemas da juventude

Voltando aos dois dias de Congresso, Catia Lapeiro sublinha que «estará em discussão toda a análise que a JCP faz em relação às questões da juventude, sobretudo no plano nacional», mas também no plano internacional. «Um debate muito ligado aos problemas que os jovens hoje sentem: educação, trabalho, cultura, desporto, alcoolismo, toxicodependência, habitação, transportes, entre muitos outros», enumera, referindo «uma outra parte da discussão» que passa, «perante esta realidade que se está a discutir, por saber como é que a JCP intervém e de que forma os jovens devem intervir».
Como faz notar, «esta é uma discussão que já está a ser feita há largos meses na Organização» através de um Projecto de Resolução Política que vai ser posto à aprovação no Congresso, «já com a máxima discussão colectiva». «No fundo é o traçar de orientações da JCP para os próximos anos e das nossas linhas de acção», sublinha Cátia Lapeiro, valorizando o facto de «nesta terceira fase de preparação do Congresso termos conseguido alargar, de facto, a discussão a muitos camaradas e amigos», sendo esta «uma particularidade que nos diferencia» de outras organizações juvenis.

Exemplos de vida

Para além do debate em torno do texto da Resolução Política, nas reuniões e nos encontros foram dados muitos exemplos das situações com que os jovens se defrontam, «com a “malta” a dar conta de experiências concretas daquilo que vive no dia-a-dia». «Quando falam de desinvestimento nas escolas, os jovens informam que continuam a ter aulas em contentores, como na Escola Secundária João de Barros ou na Escola Secundária do Monte da Caparica, e de instituições de ensino com falta de funcionários e de professores, como acontece na Amadora, em Vila Franca de Xira ou no Seixal», diz Cátia Lapeiro.
Na parte laboral, os problemas não são menores. «Apareceram relatos de camaradas e amigos que estão desempregados há muito tempo ou que vêm de um processo de despedimento, quando nem contrato de trabalho tinham, como na Visteon ou na Teleperformance de Setúbal. Surgiram, de igual forma, casos concretos de amigos e familiares que estão a emigrar», lamenta a jovem comunista.

Luta anti-imperialista

O reforço da luta anti-imperialista, nomeadamente no quadro da Federação Mundial da Juventude Democrática (FMJD), da qual a JCP faz parte e a que sempre deu um grande contributo nessa frente, estará também em discussão. «Quanto mais se reforça a nossa Organização, e, consequentemente, a luta do nosso País, mais contribuímos para a luta mais geral, no plano internacional, contra o imperialismo», afirma Cátia Lapeiro, informando que, paralelamente ao Congresso, vai ainda ter lugar uma reunião da Comissão da Europa e América do Norte da FMJD.


Trazer os jovens para a luta

As comemorações dos 40 anos da Revolução dos Cravos, como está implícito no lema do Congresso, estarão de igual forma no centro da discussão colectiva. «Cada vez mais jovens percebem o valor das conquistas do 25 de Abril e dos direitos que nos continuam a roubar», garante Catarina Moreira, que há bem pouco tempo tomou a decisão de entrar na JCP, fortalecendo o colectivo da Escola Secundária António Damásio. «Quantos mais jovens comunistas existirem nas escolas mais nos afirmamos e chamamos a atenção para o facto de que existem outras soluções, de que é preciso intensificar a luta para mudar o caminho que vem sendo seguido nos últimos anos», explica, dando conta de que na sua escola, por exemplo, «há alunos que não comem uma refeição quente por dia e que mal têm dinheiro para comprar livros, quanto mais para pagar mais de 30 euros pelo passe». «O nosso dever, enquanto jovens comunistas, é mobilizar os alunos que estão descontentes e trazê-los para a luta», destaca, rematando: «Quando os que estão de fora percebem o que fazemos, que pomos o País a mexer, que trabalhamos em unidade, conseguem realmente ver a Organização fantástica que somos».

Reforçar a organização

Também Gonçalo Salvaterra considera que o fortalecimento da Organização pode garantir a construção de um futuro melhor para a juventude. «No meu colectivo de base, no ISCSP, o reforço da organização levou ao desenvolvimento de processos de luta que estão a trazer algumas conquistas», afirma, dando como exemplo «um problema concreto que nós resolvemos: Na sala de informática sete computadores não tinham “rato”, o que era ridículo. Numa carta aberta recolhemos 268 assinaturas. Não tivemos qualquer tipo de resposta por parte do Instituto, mas o que é certo é que foram colocados de imediato os “ratos” e sete computadores ficaram disponíveis.» «Pela experiência que temos tido de outras escolas, em que os colectivos da JCP se fortaleceram, saíram sempre bons resultados», assevera.


Dar mais força à CDU

Nos dias 5 e 6 de Abril será ainda debatida a importância das eleições para o Parlamento Europeu (PE), batalha em que a JCP se empenhará profundamente, dando mais força à CDU e ao combate contra a política de direita, quer em Portugal, quer no quadro do PE.
«Nestas eleições a CDU vai defender a juventude da mesma forma que defende o povo português. Basta ver quem é conivente com as políticas externas que estão a interferir na soberania do nosso País e quem é que luta contra elas. Temos provas dadas», afirma Gonçalo Salvaterra, citando um estudo, recentemente publicado, sobre os cabeças de lista das forças que concorrem a estas eleições. «Entre João Ferreira, da CDU, e Francisco Assis, nem há comparação possível, ao nível de assiduidade, de intervenções e de propostas. Só a CDU está atenta aos problemas concretos do País», sublinha.
«O voto na CDU, independentemente de serem eleições para o PE, é também um sinal para as questões nacionais, uma vez que as políticas europeias interferem no plano nacional. Basta falar no processo de Bolonha ou no programa “Garantia Jovem”», acrescenta Cátia Lapeiro, explicando que votar na CDU é «também um sinal de descontentamento por este rumo no País», daí o lema «Leva a luta até ao voto».


Preparar o futuro, reforçando a Organização

O êxito do 10.º Congresso da JCP e o desenvolvimento da luta da juventude serão decisivos para tirar Portugal da miséria, romper com as injustiças e as desigualdades, e abrir caminho para a alternativa de que o povo e o País precisam: um Portugal de direitos e realização individual e colectiva, com os valores de Abril no seu presente e futuro.
Para se atingir este objectivo, os jovens comunistas têm pela frente importantes frentes de trabalho, que passam, por exemplo, pelo reforço da Organização «em vários planos».
«Quando se fala em reforço não falamos apenas nos recrutamentos, mas em como é que isso se espelha no reforço do colectivo, nas criação de novos colectivos, no rejuvenescimento de colectivos, no reforço do trabalho organizado», salienta Cátia Lapeiro, referindo-se ainda à necessidade de «dar condições à organização autónoma do Ensino Secundário e do Ensino Superior, nomeadamente através do reforço de quadros», do «reforço da formação ideológica dos nossos camaradas, nos cursos de formação ideológica, mas também nos debates, nas reuniões e na acção diária», do «reforço do conhecimento e da organização no ensino profissional, uma realidade crescente», do «reforço financeiro, para dar melhores condições ao trabalho da JCP» e, no plano internacional, «continuar a contribuir para a defesa da paz, contra o imperialismo, no quadro da FMJD».




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