Combate ao fascismo
Mais do que expressar preocupação é necessário identificar causas e responsáveis
A imprensa internacional está a dar destaque aos resultados da extrema-direita na primeira volta das eleições locais em França. Tocam a rebate os sinos do «perigo dos extremismos na Europa». Importa portanto conhecer desde já de que realidade estamos a falar, quais as suas causas e como lhe dar real combate.
A situação na França não é caso único. A extrema direita tem ressurgido eleitoralmente em vários países da União Europeia e incorporada em governos fazendo o caminho da sua «institucionalização». Na Hungria o «Jobbik», altamente organizado e que aterroriza comunidades como a cigana ou judaica, surge em terceiro lugar nas sondagens para as eleições do próximo dia 6 de Abril. Na Finlândia o «Verdadeiros Finlandeses», racista e xenófobo, alcançou em 2011, nas legislativas, 19 % dos votos, 3.ª força mais votada. Na Grécia o «Aurora Dourada», que com a cumplicidade do governo chegou a montar milícias contra imigrantes e está por detrás dos ataques violentos contra militantes comunistas, alcançou 7% dos votos nas eleições de Junho de 2012.
Na Holanda o «Partido para a Liberdade», xenófobo, populista e islamofóbico, teve um acordo de governo com a direita até 2012, eleições em que alcançou 15,4% dos votos.
Na Suécia – país em que somente em 2012 foram registados, segundo o Conselho Nacional Sueco para a Prevenção do Crime, 5520 crimes de ódio racial – o partido «Democratas Suecos» surge em terceiro lugar nas sondagens para as eleições do final deste ano com 10,8% das intenções de voto. Na Dinamarca o «Partido do Povo», que em troca do seu apoio parlamentar aos governos conservadores entre 2001 e 2011 (incluindo o de Anders Rasmussen, actual secretário-geral da NATO) conseguiu fazer aprovar uma lei anti-imigração da sua autoria, foi a terceira força mais votada nas eleições locais de 2013 com 10,1%. Na Estónia, em Junho de 2013, o ministro da Defesa divulgou uma mensagem de apoio aos membros da organização nazi «Aliança de Combatentes pela Liberdade da Estónia», (que reúne os «veteranos» das SS) por ocasião da sua reunião anual. Na Letónia, Lituânia e Polónia os governos destes países são formados por forças ou coligações que incorporam a ideologia da extrema-direita no poder institucional. Na Áustria o «Partido da Liberdade» alcançou quase 21% nas eleições do ano passado. Um partido que entre 2000 e 2005 esteve em coligação no governo. No Reino Unido é dado amplo destaque nos media ao «UKIP», xenófobo e com um ódio de estimação aos romenos, que sobe nas sondagens.
Este é, de forma breve e incompleta, o quadro na UE. Mas mais do que expressar preocupação é necessário identificar causas e responsáveis. A política da União Europeia de regressão civilizacional e de tentativa de esmagamento da soberania nacional é a razão de fundo, pois encerra em si elementos reaccionários do ponto de vista social, nacionalistas, porque de imposição dos interesses de potências sobre um conjunto de países, e xenófobos, como é bem patente no discurso explícito ou implícito da divisão da Europa entre o «Norte rico, trabalhador e organizado» e o «Sul pobre, preguiçoso e irresponsável». Mas é preciso ir mais além. Alguns daqueles que como Hollande apelam agora à «união republicana» contra a extrema direita são os mesmos que apoiam as forças fascistas e nazis na Ucrânia, são os mesmos que apoiam a política racista de Israel ou as forças reaccionárias religiosas na Síria. E esta reflexão leva-nos a duas outras: a primeira é a do deslocamento para a direita do espectro partidário na Europa. A direita defende e executa políticas cada vez mais de extrema-direita e a social democracia segue atrás prosseguindo no essencial as mesmas políticas, como é bem visível em França e na «santa aliança» que determina o rumo da UE. A segunda é que são os partidos comunistas fortes e implantados nas massas – portadores de uma real alternativa de ruptura com as políticas de direita e da UE e de uma comprovada política e património de unidade anti-fascista – e um movimento sindical de classe e de massas, que podem de facto travar o passo ao fascismo. É essa a nossa responsabilidade histórica.