Retomar os valores de Abril no futuro de Portugal

Ampliar a luta das mulheres

O PCP as­si­nala o Dia In­ter­na­ci­onal da Mu­lher com a re­a­li­zação, nos dias 6, 7 e 8 de Março, de um con­junto de ac­ções, em di­versas zonas do País, que dará às mu­lheres a opor­tu­ni­dade de co­lo­carem os seus pro­blemas e an­seios, ao mesmo tempo que exor­tará a am­pli­arem a sua luta pela par­ti­ci­pação em igual­dade, numa so­ci­e­dade mais justa, num País so­be­rano.

Um dia para as­si­nalar uma luta de todos os dias

As ac­ções foram anun­ci­adas na se­gunda-feira por Fer­nanda Ma­teus, da Co­missão Po­lí­tica do PCP, numa de­cla­ração com o tema «Dia In­ter­na­ci­onal da Mu­lher – 8 de Março. Um dia para as­si­nalar uma luta de todos os dias». Nela, a di­ri­gente co­mu­nista, va­lo­ri­zando o con­junto de ac­ções que estão a ter lugar no plano uni­tário, des­tacou as re­a­li­za­ções pró­prias do PCP, dando, no âm­bito da cam­panha de re­cru­ta­mento em curso, «es­pe­cial atenção ao re­cru­ta­mento de mu­lheres».
Neste sen­tido, acres­centou, «o PCP exorta as mu­lheres a co­me­mo­rarem o 8 de Março em luta, em con­vívio, em festa, como um dia de afir­mação da sua luta de todos os dias, porque não há igual­dade de di­reitos para as mu­lheres num país de­bi­li­tado no plano eco­nó­mico, onde alastra o em­po­bre­ci­mento e o re­tro­cesso so­cial».
Na de­cla­ração, Fer­nanda Ma­teus lem­brou que foi o 25 de Abril que «pôs fim à au­sência de di­reitos das mu­lheres im­posta pelo fas­cismo, que co­locou na ordem do dia o di­reito à igual­dade, a luta contra pre­con­ceitos e ideias re­tró­gradas acerca da mu­lher e a exi­gência do fim das dis­cri­mi­na­ções». «A Cons­ti­tuição da Re­pú­blica, lei fun­da­mental do País, re­co­nheceu o prin­cípio da igual­dade ju­rí­dica e da igual­dade de opor­tu­ni­dades, e
in­ter­ditou quais­quer dis­cri­mi­na­ções por ra­zões de sexo», sa­li­entou, fri­sando que 40 anos após a Re­vo­lução dos Cravos «está co­lo­cada na ordem do dia a luta pelos di­reitos das mu­lheres, con­quistas re­centes na his­tória de Por­tugal que urge de­fender para que as ac­tuais e as fu­turas ge­ra­ções de mu­lheres vejam efec­ti­vado o di­reito à igual­dade na lei e na vida».

Ataque sem pre­ce­dentes

«O 8 de Março de 2014 as­si­nala-se num tempo mar­cado por um ataque sem pre­ce­dentes às con­di­ções de vida e de tra­balho e aos di­reitos das mu­lheres. Uma ofen­siva in­se­pa­rável da po­lí­tica de di­reita que com­pro­mete e res­pon­sa­bi­liza o PS, o PSD e o CDS, que se­meia in­jus­tiças e de­si­gual­dades so­ciais na so­ci­e­dade por­tu­guesa, ar­ras­tando con­sigo o re­gresso às dis­cri­mi­na­ções das mu­lheres no tra­balho, na ma­ter­ni­dade, na fa­mília e na so­ci­e­dade em geral», cri­ticou Fer­nanda Ma­teus, re­fe­rindo-se, por exemplo, às «mu­lheres que in­te­gram o exér­cito de tra­ba­lha­dores que estão a ser des­pe­didos, for­çados ao de­sem­prego, sem di­reitos a em­prego es­tável e a um sa­lário digno, que caem nas ma­lhas da pre­ca­ri­e­dade la­boral, das em­presas de alu­guer de mão-de-obra, ou a eco­nomia clan­des­tina».
As suas pa­la­vras foram ainda di­ri­gidas às mu­lheres que «acu­mulam» tra­ba­lhos «para ao fim do mês, sem quase verem os fi­lhos, re­ce­berem um sa­lário de mi­séria», às «tra­ba­lha­doras do co­mércio e das grandes su­per­fí­cies que tra­ba­lham sá­bados, do­mingos e fe­ri­ados, como se a sua vida pes­soal e fa­mi­liar não ti­vesse qual­quer valor», às «en­fer­meiras pe­na­li­zadas pela des­re­gu­lação dos ho­rá­rios de tra­balho» e às «tra­ba­lha­doras da ad­mi­nis­tração pú­blica, local e cen­tral, a quem são im­postos uma brutal re­dução de sa­lá­rios, a anu­lação de di­reitos de pro­tecção so­cial e o au­mento do ho­rário de tra­balho».

Formas de vi­o­lência

A men­sagem do PCP abrange, de igual forma, os «mi­lhares de mu­lheres que são con­si­de­radas “ve­lhas de­mais” para obter em­prego es­tável e “novas de­mais” para se re­formar», os «mi­lhares de mu­lheres que es­ticam pen­sões de mi­séria para ali­men­tarem e cui­darem de pais, fi­lhos e netos», as «tra­ba­lha­doras de di­versas idades e qua­li­fi­ca­ções e de di­fe­rentes sec­tores de ac­ti­vi­dade que são pe­na­li­zadas pelos baixos sa­lá­rios, pelas dis­cri­mi­na­ções sa­la­riais, di­rectas e in­di­rectas, pela des­va­lo­ri­zação das suas com­pe­tên­cias e sa­beres» e as «mu­lheres que, em de­ses­pero, são ati­radas para a pros­ti­tuição e que al­guns pre­tendem as­so­ciar a acto de livre es­colha, ou a de­signar como pros­ti­tuição con­sen­tida».
Também o «au­mento de ou­tras formas de vi­o­lência sobre mu­lheres, cri­anças e idosos, em re­sul­tado do au­mento das si­tu­a­ções de de­ses­pero face à au­sência de saídas para a si­tu­ação de ca­rência eco­nó­mica, em que se en­con­tram mi­lhares de fa­mí­lias e do au­mento dos pro­blemas de saúde mental», pre­o­cupa o PCP.

 

Pro­messas ocultam po­lí­tica de di­reita

Na de­cla­ração, Fer­nanda Ma­teus pro­nun­ciou-se acerca das re­centes pro­messas do pri­meiro-mi­nistro em torno das po­lí­ticas de na­ta­li­dade, ocul­tando que «a po­lí­tica de di­reita é res­pon­sável pelo des­res­peito pela função so­cial da na­ta­li­dade e pa­ter­ni­dade e pelo in­cum­pri­mento dos di­reitos que lhe estão ine­rentes».
Se­gundo o membro da Co­missão Po­lí­tica, aquelas pro­messas «co­lidem com uma re­a­li­dade mar­cada» pela «des­re­gu­lação e au­mento dos ho­rá­rios de tra­balho, pela in­ten­si­fi­cação dos ritmos de tra­balho que im­pedem a efec­ti­vação do di­reito dos tra­ba­lha­dores a serem mães e pais com di­reitos, e sem tempo para o apoio aos fi­lhos ao longo do seu cres­ci­mento» e pela «re­dução dos sa­lá­rios e dos apoios so­ciais, res­pon­sável pelo au­mento da po­breza nas fa­mí­lias e pela po­breza in­fantil» (54,5 por cento das cri­anças vivem em fa­mí­lias com ren­di­mentos in­fe­ri­ores a 628 euros).
Uma re­a­li­dade, su­blinha ainda o PCP, mar­cada pela «ne­gação» às mu­lheres da li­ber­dade «de de­cidir o mo­mento e o nú­mero de fi­lhos que de­sejam ter», pela dis­cri­mi­nação das jo­vens «no acesso ao pri­meiro em­prego porque podem de­cidir en­gra­vidar», pelas «cres­centes pres­sões eco­nó­micas e la­bo­rais para as tra­ba­lha­doras não go­zarem a li­cença de ma­ter­ni­dade na to­ta­li­dade» e pela exis­tência de «tra­ba­lha­doras em si­tu­a­ções pre­cá­rias sem di­reito à li­cença de ma­ter­ni­dade».

Por outro lado, Fer­nanda Ma­teus deu conta da «falta de vagas em cre­ches, in­fan­tá­rios e nou­tros equi­pa­mentos de apoio à fa­mília, como re­sul­tado da pri­va­ti­zação da rede de equi­pa­mentos so­ciais e pelas men­sa­li­dades ele­vadas para as fa­mí­lias das classes tra­ba­lha­doras e po­pu­lares», da «des­truição da uni­ver­sa­li­dade do abono de fa­mília a cri­anças e jo­vens» e da «re­dução de um con­junto de apoios à ma­ter­ni­dade e à fa­mília».

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