O acordo
O acordo da UGT com o BCP para baixar salários aos trabalhadores foi tratado como notícia de primeira linha no período do Natal.
Apresentado como exemplar, o acordo prevê a redução de salários, alegadamente a troco da «salvação» de 1400 postos de trabalho.
Foi uma operação de chantagem clássica – ou isto ou o desemprego –, mas com contornos apimentados pelo período de vigência do pacto de agressão que atravessamos. O BCP, que recebeu mais de três mil milhões de euros do Estado português para se «recapitalizar», entregou como «garantia» em Bruxelas a baixa da massa salarial.
A UGT, cumprindo o seu papel, canta de galo por ter «limitado» os cortes aos salários acima de mil euros brutos (essa fortuna!), e ter negociado um período de carência aos trabalhadores que têm empréstimos ao próprio banco durante o tempo que durarem os cortes, até aos 75 anos. Omite, no entanto, que o acordo prevê ainda assim a redução de 400 a postos de trabalho.
Pelo meio, o Expresso anuncia entusiasmado na semana passada que as acções do BCP valem o dobro do que valiam no mesmo período do ano passado, mesmo que ao preço da chuva. É o «mercado» a apontar o caminho da salvação.
O facto de esta ter sido notícia com tanto destaque justifica-se por conter elementos centrais da batalha ideológica do capital contra os trabalhadores: a «conciliação» entre trabalhadores e capital como solução para a crise; os salários e os direitos como empecilho; os sacrifícios supostamente para todos.
Nada mais errado: os cortes nos salários e a injecção de dinheiro público na banca privada são factores decisivos no afundamento do País. Romper com este caminho é essencial.