É importante e decisivo o reforço do Partido nas empresas

Prontos para todos os combates

João Dias Coelho (Membro da Comissão Política da PCP)

Há 54 anos, Álvaro Cunhal e mais nove companheiros fugiram da prisão de mais alta segurança do regime fascista – a Fortaleza de Peniche. Fugiram carregados da esperança que nunca perderam ao longo da sua vida de clandestinidade imposta pela mais velha ditadura da Europa, que prendeu e torturou o seu próprio povo e o explorou remetendo-o para a miséria e a fome.

 

Fugiram para prosseguir a luta pela libertação do seu povo em quem depositaram sempre a esperança que, tal como o seu longo passado histórico demonstrava, haveria de conquistar a sua libertação, libertando outros povos. Fugiram rumo à liberdade e à vitória que, 14 anos depois, o povo haveria de conquistar.

Esta fuga rumo à vitória foi um acto extraordinário, foi um rombo num regime que pensava estar seguro como as pedras e as grelhas das prisões que agrilhoavam os lutadores pela liberdade. Enganaram-se os que prendiam a liberdade e espezinhavam o povo, porque quem funda a sua acção no querer do seu povo, como os lutadores pela liberdade e a democracia, é capaz de derrubar todas as grelhas das prisões e todos os obstáculos, sejam eles quais forem.

Enganaram-se porque, apesar das prisões, da repressão, das torturas, o PCP, força política organizada da classe operária e de todos os trabalhadores, força da unidade antifascista, existia fora e dentro das prisões, agia e intervinha nas fábricas e nos campos, junto dos democratas e patriotas construindo o futuro que haveria de libertar Portugal e os portugueses. Enganaram-se porque quem explora, quem não respeita a dignidade e a vontade do seu povo, tarde ou cedo há-de ser derrotado.

Foi tudo isto e muito mais que se comemorou na passada sexta-feira e sábado em Peniche. Honrando os heróis da luta pela liberdade, homenageando aquele que, sem margem de dúvida, foi o mais consequente lutador pela liberdade, a democracia, a soberania e independência nacional – Álvaro Cunhal. Como disse o Secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, no comício do passado sábado em Peniche – «terra de resistência e de luta» –, esta fuga para a liberdade rumo à vitória só foi possível porque, dentro da prisão como fora dela, o Partido estava organizado para resistir e lutar.

Luta constante e tenaz

54 anos passados sobre esse momento histórico, e parte integrante da História de Portugal, todo o caminho percorrido, ao longo de 93 anos de vida e de luta do PCP, demonstram quanto é importante e decisivo para o Partido da classe operária e de todos os trabalhadores reforçar, em primeiro lugar, a sua organização nas empresas e locais de trabalho, junto daqueles que são objecto da exploração; estar onde aparece a injustiça; esclarecer e organizar os trabalhadores e as massas populares para a luta contra a exploração e a liquidação dos seus direitos duramente conquistados e tão ameaçados 40 anos depois da conquista da liberdade e da democracia em 25 de Abril de 1974.

Nos 40 anos de liberdade e de democracia que este ano comemoramos, não podem ser escondidos 38 anos de permanentes e sistemáticos ataques à liberdade e à democracia em nome exactamente da «liberdade» e da «democracia» por parte daqueles que têm governado o País (PS, PSD e CDS-PP) e que o conduziram à situação actual de declínio, submissão e empobrecimento nacional.

Eles aí estão, os inimigos do povo, prosseguindo por turnos o caminho de aumento da exploração dos trabalhadores e do povo, liquidando direitos, favorecendo sempre, mas sempre, o grande capital, violando permanente e sistematicamente a Constituição da República, atacando as instituições democráticas e os alicerces do regime democrático conquistado com o 25 de Abril.

Neste tempo tão escuro em que vivemos, em que o capital monopolista domina de novo as estruturas do Estado, o brilho do futuro, de desenvolvimento e progresso, de melhoria efectiva das condições de vida dos trabalhadores e do povo, de liberdade, de democracia e socialismo que nós transportamos, anima-nos e dá-nos força para prosseguir a luta pela justiça e a transformação social da sociedade, pondo fim à hedionda exploração do homem pelo homem em que se funda a desumana sociedade capitalista.

Portador do legado que Álvaro Cunhal nos deixou, hoje, como há 54 anos, o Partido Comunista Português, o grande colectivo partidário, está pronto para combater os inimigos de Abril e, com os trabalhadores e o povo, lutar tenazmente para defender o muito que resta desse período luminoso que foi o processo da Revolução de Abril que abriu as portas a um futuro de progresso e justiça social.

Prontos para todos os combates até que a política de direita seja derrotada e os valores de Abril se afirmem no futuro de Portugal, aqui estamos, na luta, empenhados no reforço do Partido, levando à prática as conclusões da resolução do Comité Central de 15 e 16 de Dezembro último. Como cantavam os presos políticos: «Vá camarada, mais um passo/ já uma estrela se levanta/ e cada fio de vontade são dois braços/ e em cada braço uma alavanca”.

Havemos de os derrotar! Abril vencerá!

 



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