Enfrentar 2014

João Frazão

O tema de capa da última edição da Visão, «Guia para enfrentar 2014», é, obviamente, oportuno.

A encimar esse Guia a Visão destacou o item «os melhores países para emigrar», expressão que, no interior da revista, aparece com a formulação «os países para onde vale a pena emigrar», lembrando que, «com o desemprego a afectar cerca de 900 mil portugueses, muitos continuam a buscar oportunidades além-fronteiras», e indicando que «Canadá, Austrália ou Noruega podem ser boas opções» para fugir ao drama que ultrapassa largamente aqueles números.

Apesar das notícias de que a retoma já está aí, contrariando o malabarismo dos números da economia a crescer, do desemprego a diminuir, e das exportações a aumentar, negando a falsificação de que os juros da dívida estão a valores de antes da troika e que o país vai regressar aos mercados, ficando assim tudo bem, aí está um mais que necessário guia para enfrentar 2014.

À cautela, dizemos nós (e não o poderia dizer a Visão), para enfrentar 2014 – desmentida que está, pela realidade, esta gigantesca operação ideológica de mentira e mistificação e confirmada a necessidade de continuar a dar combate a esta política e a exigir uma outra política e um outro governo, patrióticos e de esquerda – o que faz falta é uma boa dose de coragem, combatividade, organização e muita confiança.

Coragem face à avalanche de medidas e às suas consequências na vida de cada um.

Combatividade necessária para prosseguir uma luta que é tanto mais exigente quanto, do outro lado, estão não apenas, e nem principalmente, o Governo e a maioria PSD-CDS/PP e os que defendem a política de direita (em que o PS tem sérias responsabilidades), entre o quais está o Presidente da República, como caução deste Governo, mas o próprio capital, que é o beneficiário desta mesma política.

Organização, que é a melhor garantia de que a luta assume objectivos claros e que cada luta, por objectivos concretos, se insere num processo mais vasto que visa não penas dar respostas imediatas a tal ou tal medida mas exigir a ruptura com o rumo de desastre dos últimos anos.

E confiança. Confiança nas nossas forças, confiança nos trabalhadores e no povo, que ao longo na nossa história de quase novos séculos sempre foi capaz de se levantar e defender a nossa pátria.




Mais artigos de: Opinião

O acordo

O acordo da UGT com o BCP para baixar salários aos trabalhadores foi tratado como notícia de primeira linha no período do Natal. Apresentado como exemplar, o acordo prevê a redução de salários, alegadamente a troco da «salvação» de 1400 postos...

Áugias

Ignorando os gritos histéricos e queques contra o lixo que se acumulava, desprezando o cobarde paternalismo pequeno-burguês que compreende todas as greves que não o afectem, desmascarando os hipócritas que destroem o SNS mas de repente se fingem preocupados com a saúde pública,...

Contra o fascismo e a guerra

O 15.º Encontro Internacional de Partidos Comunistas e Operários realizado em Lisboa em 8, 9 e 10 de Novembro com a participação de 75 delegações provenientes de 63 países aprovou um conjunto de Linhas de acção comum ou convergente cuja importância deve...

Prontos para todos os combates

Há 54 anos, Álvaro Cunhal e mais nove companheiros fugiram da prisão de mais alta segurança do regime fascista – a Fortaleza de Peniche. Fugiram carregados da esperança que nunca perderam ao longo da sua vida de clandestinidade imposta pela mais velha ditadura da Europa, que prendeu e torturou o seu próprio povo e o explorou remetendo-o para a miséria e a fome.