Processo de destruição da Casa do Douro

Um crime para a região e o País

O deputado comunista João Ramos acusa o Governo de ser cúmplice no processo de destruição da Casa do Douro ao enveredar por soluções que não resolvem os graves problemas existentes.

 

Atacar a Casa do Douro é atacar mais de 40 mil pequenos e médios viticultores

O que o Executivo PSD/CDS-PP está a fazer é a agravar as dificuldades dos mais de 40 mil pequenos e médios viticultores durienses, favorecendo apenas as grandes casas exportadoras, considerou o parlamentar do PCP em recente debate na AR.

Vender os activos da Casa do Douro e transformar esta numa entidade de direito privado, isto ao mesmo tempo que manifesta a intenção de entregar a privados as competências do IVDP, eis, em suma, o que o Governo tem para oferecer como saída para os fortes constrangimentos que há muito afectam aquela instituição.

Dificuldades que estão bem expressas no facto de os seus trabalhadores estarem com mais de 30 meses de salários em atraso, situação que para o deputado do PCP é verdadeiramente «inaceitável».

Para João Ramos, que falava no quadro de um projecto de resolução do BE em defesa da regularização daqueles salários, o que todos os dados mostram é que o Governo está determinado em «acabar o servicinho» de destruição daquela instituição há muito iniciado.

Uma ofensiva, lembrou, que começou com o roubo do cadastro à Casa do Douro, prosseguindo com a ordem que lhe foi dada pelos governos para adquirir vinhos sem a respectiva compensação.

Grave no contexto desta ofensiva foi ainda o processo de avaliação dos vinhos para pagamento de dívidas, sobretudo a avaliação ocorrida em 2009 e que foi alvo de forte e generalizada contestação. João Ramos referiu que em quase metade das colheitas avaliadas verificou-se uma diminuição do valor em relação aos preços de mercado, de que é exemplo, entre os muitos citados, a avaliação feita em 2009 pelo IVDP que atribui um valor de 1400 euros por pipa quando um relatório do mesmo IVDP sobre preços à saída do armazém atribui como preço médio o valor de 11 600 euros.

O deputado comunista lembrou ainda que os mesmos vinhos que o IVDP avaliou em 2009 por 92 milhões de euros, em 2008 estavam avaliados pela seguradora em 141 milhões de euros. Por isso o PCP considera que são devidos esclarecimentos e uma «avaliação séria».

Com esta política, porém, a única coisa a esperar é que prossiga o ataque do Governo à Casa do Douro, e, por essa via, aos pequenos e médios viticultores, enquanto aquele procura criar condições para que as grandes casas exportadoras avancem na produção directa, monopolizando a produção de vinho no Douro.

 



Mais artigos de: Assembleia da República

Salvaguardar os postos de trabalho

Foi chumbado com os votos contra da maioria PSD/CDS-PP o projecto de lei do PCP que garantia a defesa dos postos de trabalho de quem esteja a desempenhar funções em serviços municipalizados ou empresas municipais que venham a ser alvo de processos de dissolução ou...

Cumpra-se a Constituição!

Foi recentemente apreciada pelos deputados uma petição da CGTP-IN em defesa das funções sociais do Estado. Com esta iniciativa que reuniu mais de 90 mil assinaturas os seus autores insurgem-se contra o que consideram ser uma política de acelerado enfraquecimento e...

Contra o fecho das Finanças

O Governo tem na forja uma verdadeira vaga de encerramentos de repartições de finanças. Só no distrito de Vila Real pretende fechar onze das catorze existentes, em Coimbra oito, nove das doze em Bragança, e em Évora está destinada a mesma sorte para onze dos catorze...