O trabalho é um direito
Jerónimo de Sousa participou no almoço de Natal da Organização Regional de Santarém do PCP, realizado no domingo no Parque de Campismo do Entroncamento. Na sua intervenção, o Secretário-geral do Partido reafirmou a oposição dos comunistas a quaisquer tentativas de facilitar os despedimentos, acrescentando que tais desígnios colidem com a Constituição da República Portuguesa.
Comentando a entrevista de Alexandre Soares dos Santos (antigo presidente do CA do grupo Jerónimo Martins, dono da cadeia Pingo Doce), publicada nesse dia num jornal nacional, o dirigente do PCP considerou-a ilustrativa das intenções do grande capital, nomeadamente a recuperação do que perdeu com a Revolução de Abril e a promoção de uma aliança de longo termo entre o PSD e o PS. Para Jerónimo de Sousa, o segundo homem mais rico de Portugal, «arrotando milhões de euros, falando com o rei na barriga», veio defender que o Estado não se meta «onde não deve», esquecendo-se de que foi esse mesmo Estado que «deu ajudas preciosas» ao grupo Jerónimo Martins, através das políticas que favoreceram os lucros da grande distribuição à custa da ruína de milhares de pequenos comerciantes.
O dirigente do PCP lembrou ainda os lucros «fabulosos» alcançados pela privatização da Galp e o facto de Alexandre Soares dos Santos ter posto o dinheiro «ao fresco na Holanda» para não pagar impostos em Portugal.
Garantindo que a luta vai continuar pela demissão do Governo e a convocação de eleições antecipadas, Jerónimo de Sousa acusou o executivo PSD/CDS de querer facilitar os despedimentos e liquidar a contratação colectiva. Quanto ao PS, continua apostado na política do «quanto pior, melhor», à espera que o poder lhe caia ao colo.