Dignificar trabalhadores domésticos

Reconhecer direitos

Os direitos dos trabalhadores domésticos foram o tema de uma audição do PCP, realizada, dia 6, em Lisboa, no âmbito do relatório elaborado pela deputada Inês Zuber.

Pôr fim à precariedade e à ausência de direitos

Na sessão participaram cerca de dezena e meia de representantes de várias organizações com actividade neste domínio, designadamente a representante da Organização Internacional do Trabalho (OIT) em Lisboa, da Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego, da Comissão para a Igualdade entre Mulheres e Homens da CGTP, da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima, do Movimento Democrático de Mulheres e da Associação ComuniDária.

Segundo dados do Eurostat, estima-se que existam 2,6 milhões de trabalhadores domésticos na UE, dos quais 89 por cento são mulheres e metade deles migrantes.

Em vários países da UE, nomeadamente em Portugal, o trabalho doméstico caracteriza-se pela precariedade, pela ausência de contrato de trabalho, pelo atraso no pagamento dos seus salários, pela exigência de realização de horas extraordinárias sem a devida remuneração, pelo desrespeito pelo direito às folgas e descansos, pelo não pagamento de feriados e férias, pela ausência de pagamentos à Segurança Social, entre outros.

No sentido de assegurar a estes trabalhadores o mesmo nível de protecção e os mesmos direitos laborais e sociais que os demais, a OIT adoptou em 2011 a Convenção n.º 189 que vincula os estados signatários a assegurar condições de trabalho decentes e com direitos sociais, prevenindo o abuso, a violência e o trabalho infantil no trabalho doméstico.

Em Março deste ano, a Comissão Europeia apresentou uma proposta no sentido de autorizar os estados-membros a ratificar a Convenção. Este processo deverá agora avançar com a adopção do relatório, preparado pela deputada do PCP, Inês Zuber, e cuja votação estava prevista para a sessão desta semana no Parlamento Europeu.

Na audição em Lisboa, os participantes reconheceram a importância da Convenção nº 189 sobre Trabalhadores Domésticos da OIT, considerando que a sua ratificação pelo Estado português deve ser alvo de atenção por parte dos diversos agentes políticos.

No relatório, Inês Zuber chama a atenção para a necessidade de revogar as políticas europeias impostas nomeadamente pelo Semestre Europeu, pela

Governação Económica e pelas políticas de consolidação orçamental aplicadas pelas troikas, que colocam os salários sobre pressão e promovem a flexibilização das relações laborais, considerando que tais orientações são contraditórias com os princípios implícitos na Convenção da OIT.



Mais artigos de: Europa

UE: incubadora de miséria

Cerca de 125 milhões de pessoas nos países da UE estavam ameaçadas de pobreza ou de exclusão social em 2012. Em comparação com 2011 há mais cinco milhões de pobres.

Austeridade ataca direitos humanos

Um relatório apresentado, dia 4, pelo comissário do Conselho da Europa para os Direitos Humanos, acusa os governos que aplicaram medidas de austeridade de «esquecerem as suas obrigações em matéria de direitos humanos». Segundo frisou o comissário letão, Nils...

Privatizações no Chipre

O governo cipriota aprovou, dia 5, um vasto programa de privatizações de empresas públicas, de que se destacam a operadora de telecomunicações CYTA, a companhia de electricidade, devendo seguir-se a concessão da administração dos portos. O objectivo declarado...

Trabalhadores domésticos

Somos relatores no Parlamento Europeu de uma recomendação dirigida ao Conselho Europeu sobre se deve ou não dar consentimento aos estados-membros para ratificarem a Convenção sobre Trabalho Digno para os Trabalhadores Domésticos, de 2011, da...