Gregos respondem com luta aos novos cortes

Pôr fim ao pesadelo

Trabalhadores dos diferentes sectores realizaram, dia 6, na Grécia, a quinta greve geral do ano contra as políticas de empobrecimento que têm devastado a economia do país.

Greve geral contra as políticas antipopulares

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A par de uma fortíssima adesão em todo o sector público, a greve geral teve também grande expressão em diferentes sectores da actividade privada.

Com o aeroporto de Atenas a meio-gás, devido à greve parcial dos controladores aéreos, o país amanheceu com os hospitais reduzidos a serviços mínimos, a maioria das escolas encerradas, assim como universidades, tribunais e a generalidade dos serviços públicos.

Em Atenas, apesar da intensa chuva, teve lugar uma grande manifestação organizada pela PAME (Frente Sindical de Todos os Trabalhadores), sob o lema «Levanta a cabeça – a força vem da organização, a esperança vem da luta».

A paralisação geral (a quinta desde o início do ano e a 39.ª desde a entrada da troika no país em 2010) foi convocada em protesto contra as novas reduções salariais, das reformas e pensões, e em defesa das convenções colectivas de trabalho.

Os sindicatos de classe exigem o aumento do subsídio de desemprego e outras prestações sociais, bem como o acesso gratuito à Educação e à Saúde. Opõem-se à liberalização dos despedimentos, à desregulamentação do horário de trabalho, às privatizações e aos novos aumentos de impostos previstos no Orçamento do Estado para o próximo ano.

Reclamam ainda uma moratória aos despejos das camadas laboriosas, que sofrem desde há anos os efeitos das políticas recessivas: um desemprego sem precedentes e o empobrecimento acelerado da população.

No comício da PAME em Atenas (note-se que as centrais reformistas GSEE-ADEDY cancelaram as acções de rua sob o pretexto do mau tempo), intervieram dirigentes sindicais de vários sectores, em particular da Alimentação e Bebidas para saudar a luta na fábrica da Coca-Cola em Salónica, que cumpria então o seu 37.º dia de greve contra o despedimento de 33 trabalhadores.

Presente na manifestação, o secretário-geral do Partido Comunista da Grécia, Dimitris Koutsoumpas, declarou: «Lutamos pela protecção dos desempregados, pela segurança social e pelas reformas, pelas convenções colectivas, para pôr fim à intimidação nos locais de trabalho, à pilhagem fiscal do povo, pela convergência do movimento operário e popular numa Aliança popular com o objectivo final de derrubar a classe que está no poder.»

Com a economia em recessão desde há seis anos, a taxa de desemprego na Grécia atinge 27,6 por cento da população activa e 55,1 poro cento dos jovens. As estatísticas oficiais revelam que a população perdeu 40 por cento do seu poder de compra nos últimos cinco anos e que dez por cento das crianças passam fome. Depois de sacrifícios insuportáveis impostos à população, a dívida pública da Grécia cifra-se actualmente em 160 por cento do PIB. 



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