Greve pelo emprego
Os trabalhadores das empresas concessionárias da recolha de lixo e manutenção de jardins de Madrid estão em greve por tempo indeterminado em defesa dos postos de trabalho.
A greve dura há mais de uma semana
A paralisação, iniciada na madrugada de dia 5, ameaça prolongar-se por várias semanas, já que, até ao momento, nem as empresas concessionárias nem o município de Madrid deram sinais de procurar resolver o conflito.
Em causa está um processo de despedimento colectivo (Expediente de Regulação de Emprego) de mais de 1100 trabalhadores, em três das quatro empresas concessionárias, e uma pretendida redução salarial de 40 por cento, que deixaria as remunerações muito perto dos 600 euros mensais, isto é, roçando o salário mínimo em Espanha.
Na véspera da greve, milhares de trabalhadores manifestaram-se no centro da capital espanhola, sob o lema «Varredores e jardineiros de Madrid em luta. Basta já de cortes e despedimentos».
Segundo dados apurados pelos sindicatos, as empresas concessionárias empregam hoje cerca de menos 1300 trabalhadores do que o previsto nos cadernos de encargos, ou seja, em vez dos actuais 6321 trabalhadores, as empresas deveriam ter ao serviço 7619, de acordo com o contrato de concessão.
Não obstante, o município não só nada fez para garantir o cumprimento do contrato, como agora enjeita responsabilidades na greve e exige o cumprimento dos serviços mínimos de 40 por cento nas zonas do centro da cidade e de interesse turístico e 25 por cento nos jardins. Para isso, disponibilizou escolta policial para acompanhar as viaturas de recolha nas zonas «críticas».
Na segunda-feira, 11, o lixo atravancava grande parte das ruas da cidade, face à impossibilidade de cumprir os serviços mínimos estipulados.
Segundo a UGT, citada pelo El País, os trabalhadores destacados para os serviços mínimos têm-se apresentado pontualmente, e não são os piquetes de greve que barram a sua saída, mas sim as próprias empresas ou a polícia por falta de documentação relativa aos veículos.
A salubridade pública tem-se agravado devido a repetidos actos de vandalismo, que incendiaram centenas de contentores e dezenas de automóveis.
Uma história com 20 anos
Faz precisamente 20 anos que a capital espanhola passou por uma situação semelhante. Em Abril de 1993, estava-se então no início da privatização dos serviços de recolha e varredura, teve lugar uma greve que durou 32 dias.
Os trabalhadores do sector reivindicavam condições iguais (salários e horários) para os contratados pelas concessionárias e os funcionários públicos de vários distritos municipais que continuavam a gerir directamente o serviço.
Neste braço-de-ferro com o município e empresas (todas elas ligadas à construção civil), os trabalhadores tiveram de ceder. As empresas não queriam abdicar da sua margem de lucro e as autoridades locais estavam empenhadas em demonstrar que o serviço feito por privados era mais barato.
Porém, hoje, como sublinhou ao Publico.es, Juan Carlos del Rio, dirigente da Federação de Serviços Públicos da UGT, não se trata de conquistar uma melhoria salarial, mas de lutar para não perder o emprego e quase metade do salário. Por isso, prevê que esta greve ultrapasse em duração a de 1993.