O reformado
Chama-se Jürgen Kröger e foi, desde a entrada em Portugal da troika CE/BCE/FMI (pela mão servil da troika PS/PSD/CDS), o representante da primeira daquelas siglas ocupantes. De então para cá, cumprindo exemplarmente a tarefa que os patrões lhe confiaram, desenvolveu intenso e profícuo trabalho na concretização da «ajuda» que tem vindo a afundar e a roubar a independência e a soberania de Portugal e, ao mesmo tempo, a empurrar a maioria dos portugueses para condições de trabalho e de vida cada vez mais à margem dos mais elementares direitos humanos.
Assim, Jürgen Kröger é um dos vários nomes (entre ocupantes e colaboracionistas) que ficará para sempre ligado ao vendaval de brutalidades que tem vindo a flagelar impiedosamente os trabalhadores e o povo português: desemprego brutal; brutais roubos nos salários, pensões e reformas; brutal liquidação de serviços públicos essenciais; brutais aumentos de impostos; ataques brutais aos direitos dos trabalhadores, com roubos de feriados, aumento dos horários de trabalho, etc, etc, etc.
Curiosamente, este Kröger foi, no conjunto dos membros da troika ocupante, o que com mais fervor e intransigência se bateu pelo aumento, para os 67 anos, da idade da reforma dos trabalhadores portugueses. Isto, já depois de Kröger ter passado, ele próprio, à reforma – facto ocorrido em Julho passado, quando atingiu os 61 anos de idade (e 30 de trabalho, digamos assim…).
Reformado e, por isso, passando a empochar uma reformazita de 10 mil euros/mês, deixou o cargo de representante da CE na troika ocupante… mas passou a desempenhar as funções de «conselheiro especial» na mesma troika, com um contrato também «especial»: a partir de agora, Kröger vai receber, não ao mês mas ao dia, estando estipulado que nos próximos 12 meses não deverá «trabalhar» mais de 100 dias, pelos quais receberá a módica quantia de 46 900 euros – que acumulará, obviamente, com a tal reformazita…
Contratadores e contratado dizem que o «conselheiro especial» vai conselheirar até Outubro de 2014.
Isto se, entretanto, não for corrido, ele e a troika que o pariu – e, por arrasto, os que por cá, bem comportadinhos, lhes lambem as botas.