Abril é o futuro

José Casanova

Centenas de milhares de trabalhadores manifestaram-se por Abril, pelos seus valores, pela sua democracia e a sua Constituição, pelas suas conquistas revolucionárias – e contra a política de direita e o governo que actualmente a executa. Entre os que participaram nas impressionantes marchas do dia 19, muitos eram os que, protagonistas da marcha transformadora da revolução, viveram e construíram esse momento luminoso da nossa história colectiva – e muitos eram, também, os que, tendo nascido e crescido de então para cá, têm participado activamente, com os primeiros, no combate à contra-revolução que desde há trinta e sete anos vem afundando Portugal e roubando Abril aos portugueses.

Era o povo de Abril que ali estava lutando contra a política de direita que, iniciada em 1976 pelo pai da contra-revolução, Soares – e prosseguida por Cavaco, Guterres, Barroso, Sócrates, Coelho & Portas – conduziu Portugal e os portugueses à dramática situação em que se encontram. Roubando aos trabalhadores e ao povo os direitos alcançados com Abril; afundando a economia e entregando a independência e a soberania nacional ao grande capital nacional e transnacional; espezinhando a Constituição e recorrendo amiúde ao uso da força bruta – esses homens de mão do grande capital fizeram regredir o País e as condições de trabalho e de vida dos trabalhadores e do povo para níveis semelhantes aos existentes durante o fascismo e criaram uma situação que, em muitos aspectos, coloca Portugal, hoje, mais próximo do 24 do que do 25 de Abril.

Recordar os nomes, as práticas e os objectivos desses inimigos de Abril – especialmente quando alguns deles aparecem agora, em longas entrevistas ou em vibrantes proclamações carregadas de «social», fingindo que nada têm a ver com a política do actual Governo, fingindo que não sabem que ele é a continuação dos que, desde 1976, o antecederam – é indispensável para pôr fim ao «mais do mesmo» que tem afundado o Portugal de Abril. Para que, à política de direita praticada pelo PSD/CDS, não venha a suceder a mesma política de direita praticada pelo PS/CDS.

É por Abril que lutamos. No dia 19, Abril saiu à rua. E Abril é o futuro.

 



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