Agora as contas do Grupo Transtejo

Roubados para a banca

«Perderam os utentes, perderam os trabalhadores e só ganharam os banqueiros», protestou a Fectrans, a propósito das contas do Grupo Transtejo, muito semelhantes às de outras empresas públicas de transportes.

A justificação do Governo para as medidas que impôs é desmentida pelos resultados

 

Variação 2010-2012 (milhões de euros)
Aumento das vendas (roubo aos utentes)  1,11
Redução alcançada com o roubo de salários  1,27
Aumento dos juros pagos à banca
 5,55

 

 

Nestes dois anos, o que foi roubado aos utentes e aos trabalhadores não chegou sequer para metade do aumento dos juros

 

As contas de 2012 do grupo, que engloba a Transtejo e a Soflusa, foram recentemente publicadas e a sua análise pela Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações foi divulgada na semana passada. Numa nota de 28 de Agosto, a Fectrans/CGTP-IN destaca o contraste entre o que o Governo prometeu e aquilo que os números mostram: reduziu-se a oferta e aumentaram os preços, baixaram os custos salariais e diminuiu o número de trabalhadores; mas aumentou brutalmente a dívida e o resultado líquido saltou de 12 para 22 milhões de euros negativos.

Para a Fectrans, haver «menos oferta, menos procura, mais receita, mais gastos com juros, mais perdas com swaps, piores resultados líquidos» representa «um desastre completo, fruto das opções erradas que continuam a ser impostas às empresas públicas».

No roubo aos trabalhadores da Transtejo e Soflusa, a federação contabiliza dois anos de redução de custos com o trabalho, «por via das medidas impostas nos orçamentos do Estado e a partir do Código do Trabalho revisto com o acordo da UGT e dos patrões, mas igualmente com uma redução de trabalho, tornada possível pela redução da oferta».

Esta redução é considerada também parte do roubo dos utentes, completado com o aumento de preços. A Fectrans destaca que, em dois anos, o valor das vendas aumentou 7,94 por cento (um milhão de euros), apesar de haver menos 15 por cento de utentes (perdidos, entre outras razões, por uma redução da oferta, em 13 por cento, e pelo aumento dos preços, em mais de 30 por cento).

No plano operacional, «a política deste Governo e desta administração é um completo desastre», mas «o fruto de tudo o que é roubado aos trabalhadores e utentes destina-se a alimentar a banca». Das contas de 2012, a federação conclui que o Grupo Transtejo destinou 10,83 milhões de euros ao pagamento de juros e similares, valor que representa mais de dois terços da receita. Mesmo assim, «a dívida da empresa não pára de aumentar», seja porque «já se alimenta a si própria», seja porque o Governo mantém a política de subfinanciamento e suborçamentação.

Ainda sobre «o sangramento da Transtejo pela banca (e pelo Governo ao serviço da banca)», a Fectrans sublinha «os valores verdadeiramente escandalosos das taxas de juro» que são pagas ao BES (spread de oito por cento), ao BPI (7,75 por cento) e ao Santander/Totta (6,25 por cento).

A este propósito, assinala-se no comunicado que «as swaps, de que agora tanto se fala, depois de durante anos só nós as termos denunciado, são apenas um dos mecanismos de extorsão que a banca usa – os juros, os spreads, o ciclo da dívida, têm igualmente um peso monstruoso».

 

Pelo contrário

A Fectrans insiste que «é preciso mudar de política» e que, «ao contrário do que repete até à exaustão o Governo, a actual política está a prosseguir o caminho de afundamento da economia nacional e das empresas públicas de transporte»:

quando se deveria aumentar a oferta e reduzir os preços, para promover a utilização dos transportes públicos, está-se a fazer o oposto;

quando se deveria sanear financeiramente as empresas, acabar com a sangria destas pela banca e atribuir-lhes indemnizações compensatórias suficientes, está-se a estimular o crescimento de dívidas gigantescas, que alimentam a especulação, carregam as gerações futuras e servirão para alimentar campanhas contra as empresas públicas;

quando se deveria pagar aos trabalhadores a retribuição contratada e estimular a sua participação, aposta-se no caminho dos roubos sucessivos no salário e no conflito permanente.




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