Dar mais força à luta

Paulo Raimundo (Membro da Comissão Política)

Tivemos razão quando nos opusemos à adesão à CEE; quando afirmámos que o País não tinha interesse nem condições para aderir ao euro; tivemos razão quando ao longo dos anos demos combate à política de direita levada a cabo por diferentes protagonistas.

Dia 27 de Junho é dia para que todos os que estão descontentes se associem à Greve Geral

Dois anos depois os factos voltam a dar-nos razão: país destruído, povo roubado a caminho da miséria e desespero, Banca e o grande capital a viver à grande e à alemã eis os resultados do «memorando de entendimento» do PS/PSD/CDS, da troika estrangeira, do Presidente da República e da banca, que na altura caracterizámos como um pacto de agressão aos trabalhadores, ao povo e ao País.

A economia destruída, cortes nos direitos e prestações sociais, aumento do desemprego, da dívida e do défice; simplificando o processo de extorsão, cada cêntimo que pagamos a mais na saúde, educação, transportes, energia e telecomunicações, cada cêntimo roubado aos trabalhadores, reformados, das funções sociais do Estado, está a ser transferido aos milhões para o grande capital.

Estamos perante um verdadeiro assalto, a que se junta agora o novo plano de terrorismo social (novo ataque aos trabalhadores, arrasadores cortes na saúde, protecção social e educação, um ataque aos militares e forças de segurança).

Uma nova fase de um plano de exploração do povo e roubo dos recursos do País, em concretização por um Governo, uma maioria e uma política fora da lei apoiados por um Presidente da República que optou por se constituir como parte do problema.

Começam a agora a falar que é preciso pensar no pós-troika! Mas o que fica?

Fica a dívida, os juros, o défice, fica a banca cheia e os trabalhadores e o povo de bolsos vazios, fica em preparação novas amarras, que com este ou aquele nome nos mantenham presos durante décadas a fio ao sabor dos interesses económicos e financeiros ao mesmo tempo que procuram que cá fique a troika nacional (PS/PSD e CDS) para que, com esta ou aquela diferença de estilo ou forma mantenham a actual política em curso, essa mesma política que está a destruir a vida de milhões de pessoas que querem trabalhar, que trabalham mas o seu rendimento não lhes permite fugir à pobreza, pessoas que trabalharam uma vida inteira e hoje se confrontam com dificuldades e necessidade de ajudar filhos e netos.

Construir a greve geral

Este é um momento difícil, de angústia, falta de expectativas, descrença generalizada, é um momento em que muitos estão com vontade de baixar os braços. É neste momento que temos de assumir o nosso papel de resistência mas acima de tudo de animar, dar alento, ser o elemento de confiança e esperança dos trabalhadores e do povo.

Uma confiança alicerçada nas provas dadas, na luta desenvolvida e nas conquistas alcançadas.

A imensa e corajosa luta dos trabalhadores, das populações e de amplas camadas sociais isolaram socialmente o Governo. Os trabalhadores e o povo, apesar de ainda não o terem feito cair, já derrotaram politicamente este Governo e impedem-no de sair à rua.

É esta luta que fará cair o Governo e derrotará a política em curso. Uma luta pela alternativa e de combate a falsas saídas e opções.

A opção não é entre a «austeridade burra» do PSD/CDS ou a «austeridade inteligente» do PS, nem saber se queremos ser assados na grelha do PSD/CDS ou cozidos em «banho-maria» nas panelas do PS.

A opção é a de construir o País com futuro a que temos direito. Este caminho está nas mãos dos trabalhadores, de todos os patriotas e do povo. É uma opção que exige – tal como se está a desenvolver por todo o País – dar força à luta e afirmar e construir a alternativa patriótica e de esquerda vinculada aos valores de Abril.

É neste quadro que se inserem importantes lutas em curso, pequenas e grandes acções, todas importantes e que contribuem para ampliar o caudal de descontentamento e luta.

Lutas que contribuem para a realização de uma grande Greve Geral no dia 27 de Junho. Greve que, tal como todas as outras, não será fácil: usarão de tudo nos locais de trabalho – o medo, a chantagem e a pressão – porque é aí que se decide o sucesso da Greve. Mas este é o momento de tudo fazer, de concentrar esforços, de criar unidade, é o momento para os trabalhadores do sector privado darem um sinal forte ao patronato que se vai enchendo com o bloqueio da contratação e recusa de aumentos, os cortes nas horas extraordinárias, com os dia de trabalho à borla, com o aumento da precariedade e que já espreita o aumento do horário de trabalho. É o momento de dar um forte sinal na defesa do sector empresarial do Estado, contra as privatizações e novos assaltos nos salários e rendimentos. É dia para os trabalhadores da administração pública impedirem os despedimentos, os roubos nos salários, dia de defenderem os serviços públicos.

Dia 27 de Junho é dia para que todos os que estão descontentes e são alvos da política em curso, se associem às razões e objectivos da Greve Geral e lhe dêem força, nas empresas e nas ruas.

Temos mais uma vez razão quando afirmamos que a alternativa é possível e tanto mais rapidamente concretizável quanto maior for a força do PCP e mais ampla for a frente social de luta. Esta é a mais certa garantia para travar a exploração e o empobrecimento, o único caminho para mudar de política e de construir um Portugal com futuro.



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