Belgas recusam austeridade
e nivelamento por baixo

Trabalho contra Di Rupo

Cerca de 35 mil belgas manifestaram-se, dia 6, pela terceira vez em três, meses contra o congelamento dos salários e o nivelamento dos direitos por baixo.

Belgas lutam pelo poder de compra e emprego

O protesto, convocado pelas duas principais centrais sindicais, FGTB (socialista) e CSC (cristã), foi dirigido contra as recentes medidas antilaborais anunciadas pelo o governo «socialista» do primeiro-ministro Di Rupo.
Para além da grande manifestação na capital belga, outras acções tiveram lugar em Liége, Namur, Charleroi, Tournai, Ostende e Antuérpia para reivindicar uma mudança de rumo.
Presente nos desfiles, o Partido do Trabalho da Bélgica (PTB) apoia inteiramente as exigências dos sindicatos, que repudiam o congelamento de salários, imposto pelo segundo ano consecutivo, bem como o projecto que visa reduzir as indemnizações por despedimento.
Com a nova versão da lei de «salvaguarda da competitividade», o governo pretende alinhar os salários na Bélgica pelos praticados nos países vizinhos (Alemanha França, Holanda).
Os sindicatos rejeitam o projecto, notando que não só põe em causa o direito à negociação colectiva, como conduzirá ao nivelamento dos salários pelo menor denominador comum nos diferentes países.
Já com as previsões económicas a anunciarem um crescimento próximo do zero (0,2%), os trabalhadores estão conscientes de que isso significa o encerramento de mais empresas e novos despedimentos.
No contexto de crise, o governo corta nas despesas e pretende reduzir as indemnizações por despedimento.
«Nunca um governo poupou tanto em tão pouco tempo», observa Raoul Hedebouw, dirigente do PTB, acrescentando: «Todas estas poupanças nada resolvem. Ganhar menos é consumir menos. Consumir menos é produzir menos. Produzir menos é trabalhar menos. E trabalhar menos é ganhar menos. É uma espiral descendente que não terá outro efeito senão agravar a crise».
No mesmo sentido, os sindicatos argumentam que «os nossos salários, o nosso poder de compra, são o motor da economia». E avisam Di Rupo que não pode ignorar os 3,5 milhões de trabalhadores organizados nos sindicatos.



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