Tiremos a máscara ao capitalismo
Em 2012 o défice orçamental derrapou três vezes mais do que o valor das medidas agora consideradas inconstitucionais. Sobre o assunto não foi feito qualquer alarido, não interessava que viesse a lume o falhanço da política do Governo. Mas como agora se tratava de ir mais uma vez ao bolso dos pobres, logo se levantaram em uníssono coro ameaçando, intimidando, aterrorizando, agitando o papão de que não vão ter dinheiro para pagar os salários e as pensões. Mas por que não dizem antes que não vão pagar os juros agiotas da dívida? Só em 2013 Portugal vai pagar 9,7 mil milhões de juros, ou seja, doze vezes o valor das medidas consideradas inconstitucionais. E tanto a troika como o Governo sabem perfeitamente que Portugal não tem condições para pagar a dívida nos termos em que se propõe fazê-lo, se dissermos que cada português, incluindo os que acabam de nascer, deve já 19 mil e 450 euros…
Um país onde se permite que se pague ordenados correspondentes a 466 salários mínimos (caso do presidente da EDP) não tem moral para retirar sequer um cêntimo às já tão magras reformas e salários. Troika, Comissão Europeia e Governo são farinha do mesmo saco que têm como principal e primeiro objectivo baixar o nível de vida dos povos dos países intervencionados.
O que se pretende realmente é sangrar mais e mais este povo. E a resposta só pode ser: Nem mais um cêntimo no aumento dos impostos, nem mais um cêntimo no corte de salários, pensões e reformas, nem mais um cêntimo de corte nos direitos sociais.
O esvaziamento da democracia, a substituição da discussão de ideias e projectos por soluções demagógicas que se sucedem impunemente, a manipulação cada vez mais afrontosa da opinião pública, a arrogância face a opiniões dissonantes, a desculpabilidade perante a má gestão de recursos públicos, a protecção jurídica e política dos grandes interesses em detrimento das aspirações de vastas camadas populares, faz com que este poder apareça com quase indisfarçável despudor como mandatário de outro mais poderoso, perante o qual este Governo verdadeiramente responde: o grande capital financeiro, agora com a máscara de «os mercados».
Por todos estes motivos é necessário e urgente intensificar a luta para reabilitar a democracia.