PCP contacta com motoristas de pesados de mercadorias

Combater a exploração

O PCP re­a­lizou, se­gunda-feira, no Parque TIR de Vilar For­moso, uma acção de con­tacto com os mo­to­ristas de trans­porte de mer­ca­do­rias, con­fron­tados com dra­má­ticas con­di­ções de tra­balho.

A uni­dade é fun­da­mental para de­fender e re­cu­perar di­reitos

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Par­ti­ci­param na acção Bruno Dias, de­pu­tado e membro do Co­mité Cen­tral, Júlio Vintém, igual­mente do Co­mité Cen­tral, e José Gil, membro da Di­recção da Or­ga­ni­zação Re­gi­onal de Coimbra do Par­tido. Nesta acção, os co­mu­nistas con­tac­taram com cerca de uma cen­tena de tra­ba­lha­dores, de­ba­tendo com eles os prin­ci­pais pro­blemas que os afectam e pers­pec­ti­vando ca­mi­nhos para os su­perar. Em vá­rias con­versas que man­teve com os mo­to­ristas, o de­pu­tado Bruno Dias des­tacou a im­por­tância da uni­dade dos tra­ba­lha­dores do sector para o de­sen­vol­vi­mento da luta em de­fesa dos di­reitos e con­di­ções de tra­balho. O de­pu­tado co­mu­nistas sa­li­entou ainda o papel de­sem­pe­nhado pelo PCP na As­sem­bleia da Re­pú­blica, no­me­a­da­mente na apre­sen­tação de di­versas pro­postas le­gis­la­tivas em de­fesa do sector e dos tra­ba­lha­dores.

No co­mu­ni­cado dis­tri­buído du­rante a acção, o PCP de­nuncia as po­lí­ticas la­bo­rais dos su­ces­sivos go­vernos e o blo­queio da con­tra­tação co­lec­tiva le­vada a cabo nas pró­prias em­presas, que fazem do mo­to­rista a «peça mais ba­rata do ca­mião». Entre o imenso rol de ile­ga­li­dades e in­dig­ni­dades pra­ti­cadas contra os mo­to­ristas com o ob­jec­tivo único de baixar o custo da mão-de-obra, o PCP sa­li­enta o facto de em muitos casos a ob­tenção do Cer­ti­fi­cado de Ap­tidão para Mo­to­rista e do Cartão Ta­có­grafo Di­gital (ambos in­dis­pen­sá­veis para a prá­tica da pro­fissão) ter que ser cus­teada pelos pró­prios tra­ba­lha­dores.

O Par­tido de­nuncia ainda as pres­sões exer­cidas para que os tra­ba­lha­dores au­mentem o já de si longo ho­rário de tra­balho (chega a atingir 16 e mais horas diá­rias), pondo assim em risco não só a vida dos pró­prios mo­to­ristas como a de todos os que cir­culam pelas es­tradas. O abai­xa­mento do valor do tra­balho ex­tra­or­di­nário e da cláu­sula 74.ª pro­vocou a re­dução drás­tica dos ren­di­mentos do tra­balho, ao ponto de os mo­to­ristas le­varem para casa menos di­nheiro do que há 10 anos.

Res­peito pelos di­reitos con­quis­tados

Mas há mais: no sector do trans­porte in­ter­na­ci­onal, é tal o grau de des­re­gu­lação dos ho­rá­rios que há mo­to­ristas que «saem de Por­tugal com a in­di­cação de que vão estar fora uma se­mana e acabam por estar três se­manas ou mais». Outra si­tu­ação cho­cante é o in­cum­pri­mento por muitas em­presas da obri­ga­to­ri­e­dade de adi­an­ta­mento aos mo­to­ristas do valor das des­pesas com a vi­a­gens e com o pró­prio – isto leva a que muitos destes tra­ba­lha­dores es­tejam vá­rios dias com ali­men­tação in­su­fi­ci­ente e te­nham que re­correr à so­li­da­ri­e­dade de ou­tros para col­ma­tarem estas in­su­fi­ci­ên­cias.

Em muitas em­presas, de­nuncia ainda o Par­tido, tra­ba­lha­dores com vín­culos efec­tivos são mar­gi­na­li­zados, ou «en­cos­tados», sem atri­buição de tra­balho como forma de pressão para aban­do­narem as em­presas, ao mesmo tempo que se subs­titui o sa­lário por pa­ga­mento ao qui­ló­metro, à to­ne­lagem ou à vi­agem – o que, uma vez mais, se re­per­cute na re­dução do valor da re­tri­buição. O PCP alerta ainda para a in­tenção do pa­tro­nato do sector de re­tirar os tempos de es­pera e des­carga do «pe­ríodo normal de tra­balho», o que le­varia a um efec­tivo au­mento do ho­rário e da ex­plo­ração.

O PCP de­fende o res­peito pelos di­reitos con­sa­grados no con­trato co­lec­tivo de tra­balho; o des­blo­que­a­mento na con­tra­tação co­lec­tiva; o au­mento sa­la­rial e das res­tantes ru­bricas pe­cu­niá­rias; a for­mação pro­fis­si­onal con­tínua; o pa­ga­mento pelas em­presas do custos com a re­no­vação do CAM; a re­so­lução da sen­sível questão da re­forma destes pro­fis­si­o­nais.



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