- Dias de lutar
No número anterior, demos conta das primeiras acções da semana de lutas nos transportes. Referimos o plenário na Soflusa, no dia 4, quando foi formalizada a convocação da greve na TAP e nas participadas SATA Internacional, SATA Açores e Portugália, para os dias 21 a 23 de Março. Demos notícia também dos plenários na Vimeca (na noite de segunda-feira, 4) e frente ao edifício da administração do Metropolitano de Lisboa (na manhã de terça-feira), bem como da greve na STCP, com plenário junto à sede, na Torre das Antas. Referimos ainda, no dia 5, a jornada que o SNTSF, da Fectrans/CGTP-IN, promoveu na EMEF, com concentrações, distribuição de informação à população e cortes simbólicos da circulação ferroviária. Começavam as lutas de quarta-feira, quando encerrámos a edição. Retomamos o relato.
Dia 6
A greve na CP e na CP Carga tem uma adesão quase total. Não circulam comboios de mercadorias e foi suprimida a esmagadora maioria dos comboios de passageiros, com serviços mínimos que os trabalhadores contestam.
Contra a privatização dos CTT e em defesa do correio público, o SNTCT/CGTP-IN inicia uma campanha, frente ao Ministério das Finanças. Arménio Carlos esteve presente e foi um dos primeiros subscritores.
Entram em greve os trabalhadores da Scotturb, que ratificam a decisão de luta, num plenário às 4.30 horas, frente às instalações da empresa. Na véspera, esta tinha publicado um anúncio de recrutamento a oferecer condições salariais superiores ao que paga hoje.
Sem actualizações salariais há quatro anos, os trabalhadores da Rodoviária do Tejo concluem uma série de greves parciais, iniciada a 28 de Fevereiro. Contestam igualmente a redução do valor do trabalho suplementar. No distrito de Santarém, a adesão situou-se nos 70 por cento, segundo o STRUP, da Fectrans/CGTP-IN.
Dia 7
A esmagadora maioria dos trabalhadores participa na greve na Refer, causando a supressão de mais de 80 por cento das circulações ferroviárias de operadores públicos e privados. A redução salarial já está na ordem dos 30 por cento e estão a ser retirados direitos que foram garantidos pelas leis que constituíram a empresa.
Na Praça Luís de Camões, trabalhadores da Carris reúnem-se em plenário e reafirmam as exigências aprovadas no mesmo local, a 31 de Janeiro, e que o Governo mantém sem resposta, entre as quais: o fim da repressão sindical e a reintegração de Luísa Bota, Jorge Gomes e Passinhas Pólvora; e que a contratação colectiva, incluindo o direito ao transporte para trabalhadores, reformados e familiares, mereça do Governo «o mesmo respeito que este tem mostrado pelos contratos assinados com os especuladores que estão a sangrar o nosso povo».
Dia 8
A greve na Transportes Sul do Tejo obtém índices de adesão de 60 a 65 por cento. Num plenário, no Laranjeiro, foi decidido convocar nova paralisação para 2 de Abril, com marcha até à ACT de Almada, onde os trabalhadores decidirão como prosseguir a luta.
Aos oito sindicatos, representativos de mais de 90 por cento do pessoal, que já tinham convocado greve nas empresas do Grupo TAP, para 21, 22 e 23 de Março, juntam-se mais quatro. Os representantes dos trabalhadores reafirmam-se disponíveis para o diálogo de que o Governo fala, mas contestam os cortes salariais impostos no Orçamento do Estado.