Ferroviários resistem
Depois de mais um feriado em greve, anteontem, decorre hoje um «dia de resistência e luto da família ferroviária», mas está já decidida uma semana de acções, a culminar numa manifestação nacional do pessoal dos transportes.
Novo rumo para os transportes com outra política no País
Na terça-feira de Carnaval fez-se sentir a greve dos trabalhadores da CP, da CP Carga, da Refer e da EMEF, que continuam a recusar-se a entrar ao serviço nos feriados, enquanto não voltarem a vigorar as normas contratuais e tradicionais de remuneração do trabalho prestado fora do horário normal.
Em defesa do direito centenário às concessões (transporte gratuito para trabalhadores no activo, familiares e reformados), as CT das empresas do Grupo CP e outras estruturas representativas decidiram fazer do dia de hoje (e não da passada quinta-feira, como por lapso aqui noticiámos) uma jornada de «resistência e luto da família ferroviária». A decisão, tomada numa reunião realizada dia 4, foi reafirmada uma semana depois, na passada segunda-feira.
Organizações de ferroviários no activo e reformados, como refere uma nota divulgada pela Fectrans/CGTP-IN apelaram à forte mobilização de trabalhadores e familiares, para que hoje tenha lugar «uma grande demonstração do seu descontentamento, repúdio e determinação em defesa dos seus direitos».
Estão marcadas concentrações, às 17 horas, em Lisboa (na sede da CP), no Porto (Campanhã), em Coimbra (estação Coimbra B), no Entroncamento, no Barreiro e em Faro. Foi ainda editado um autocolante alusivo.
Da reunião de dia 11 saiu também a afirmação do empenhamento dos participantes na concretização das decisões do plenário de representantes dos trabalhadores dos transportes e comunicações, que teve lugar no dia 6, quarta-feira, na Casa do Alentejo. Aqui foi decidido dinamizar acções convergentes, no quadro de uma semana de lutas, de 4 a 8 de Março, que deverá terminar numa manifestação nacional, em Lisboa, no dia 9. As organizações apelaram à participação nas lutas marcadas em cada empresa e sector, e também a nível nacional, que tenham como objectivo exigir mudanças de política.
Representantes dos trabalhadores de todo o sector voltam a reunir-se amanhã, para definirem os contornos da semana de lutas.